O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), colhe nesta sexta-feira, 30 de maio, os depoimentos das testemunhas de defesa indicadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro no âmbito da ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado. Em março, Bolsonaro e outros sete investigados se tornaram réus após denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que foi aceita por unanimidade pela Primeira Turma do STF.
O depoimento mais aguardado é o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ex-ministro da Infraestrutura no governo Bolsonaro, marcado para as 8h e realizado por videoconferência. No período da tarde, a partir das 14h, devem ser ouvidas outras cinco testemunhas indicadas por Bolsonaro. Pela manhã, também depõem como testemunhas do ex-ministro da Justiça Anderson Torres os senadores Ciro Nogueira (PP-PI), Espiridião Amin (PP-SC) e Eduardo Girão (NOVO-CE), o deputado federal Sanderson (PL-RS) e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Ciro Nogueira prestará ainda depoimento como testemunha de Bolsonaro.
Na quinta-feira, 29 de maio, a defesa do ex-presidente desistiu de ouvir quatro nomes: o advogado Amauri Feres Saad, apontado como autor intelectual da chamada minuta do golpe; o ex-ministro do Turismo Gilson Machado; o deputado federal e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello; e o cardiologista Ricardo Peixoto Camarinha, que atendeu Bolsonaro enquanto presidente.
A fase atual de oitivas deve ser concluída na próxima segunda-feira, 2 de junho, quando será ouvido o senador Rogério Marinho (PL-RN). Com isso, será encerrada a primeira etapa dos depoimentos no processo em que os réus respondem por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado mediante violência e grave ameaça, e deterioração de patrimônio público tombado.
De acordo com a PGR, Bolsonaro tinha pleno conhecimento do plano denominado “Punhal Verde Amarelo”, que previa ações violentas contra autoridades, incluindo o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes. A procuradoria também sustenta que Bolsonaro sabia da existência e do conteúdo da minuta de decreto de golpe, que se tornaria pública durante o curso das investigações.
Os oito acusados fazem parte do chamado núcleo central da trama golpista, identificado como núcleo 1. São eles: Jair Bolsonaro, ex-presidente da República; Walter Braga Netto, general do Exército e ex-candidato a vice-presidente; general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional; Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin); Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança pública do Distrito Federal; Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Paulo Sérgio Nogueira, general do Exército e ex-ministro da Defesa; e Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e atual delator.
Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

