O senador Sergio Moro, filiado ao União Brasil, afirmou nesta segunda-feira que sua candidatura ao governo do Paraná está definida e não sofrerá recuos. A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões entre o União Brasil e o Progressistas, partidos que negociam uma federação nacional, mas divergem sobre o apoio ao ex-juiz na disputa pelo Palácio Iguaçu.

Segundo Moro, a decisão já foi chancelada internamente e não depende de novas tratativas. Ele afirmou que o foco, a partir de agora, está na construção de um projeto administrativo consistente para o estado. A fala foi feita durante entrevista concedida à rádio Massa FM, de Cascavel, no Oeste do Paraná.

“A candidatura é irreversível. Isso foi declarado pelo próprio presidente do nosso partido. O que nos preocupa é apresentar um projeto consistente e técnico para a população paranaense”, afirmou o senador, ao comentar o impasse com o Progressistas.

A resistência do PP, presidido nacionalmente por Ciro Nogueira, é hoje um dos principais pontos de atrito na formação da federação União Progressista, cujo pedido de registro já foi encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral. Ciro Nogueira tem afirmado publicamente que não vê condições de o Progressistas apoiar Moro na disputa estadual, posição que contraria acordos regionais firmados anteriormente.

O senador sustenta que havia um compromisso prévio do PP no Paraná em torno de sua candidatura e cobra o cumprimento desse entendimento. Em entrevista concedida no ano passado, Moro afirmou que lidera as pesquisas de intenção de voto no estado com margem confortável e criticou a ausência de um nome competitivo apresentado pelo Progressistas.

“No Paraná, havia um acordo prévio do PP de que haveria apoio à minha candidatura. A gente espera que seja cumprido. Eles não têm candidato competitivo para apresentar”, declarou o senador à época.

Enquanto isso, o cenário eleitoral paranaense começa a se desenhar também no campo da oposição. O diretório estadual do Partido dos Trabalhadores anunciou apoio ao deputado estadual Requião Filho, filiado ao PDT, para a disputa pelo governo. A articulação inclui ainda a possibilidade de a ministra Gleisi Hoffmann concorrer a uma vaga no Senado Federal.

Paralelamente, o governador Ratinho Júnior, do PSD, deve exercer papel central na escolha de seu sucessor. Três nomes do partido aparecem como alternativas: o secretário estadual das Cidades, Guto Silva, o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca. Entre eles, Guto Silva é apontado como o favorito, em razão da proximidade com o atual governador.

Com pesquisas favoráveis e apoio consolidado no União Brasil, Moro busca manter sua candidatura como fato consumado, mesmo diante das resistências internas da federação. O senador aposta no desempenho eleitoral e na consolidação de alianças regionais para sustentar sua posição até a definição do quadro eleitoral paranaense.

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil


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