A confirmação da 120ª morte por causa das chuvas no Grande Recife ultrapassou a tragédia deste ano ao número de vítimas da cheia de 1975, quando foram registrados 107 óbitos.

Ainda assim, o maior desastre ocorrido em Pernambuco continua sendo a enchente de 30 de maio de 1966, na qual 175 pessoas perderam a vida.

Na tarde desta quarta-feira (1º), foi encontrado um corpo no local onde uma barreira deslizou na Vila dos Milagres, na Zona Oeste do Recife . Essa vítima ainda não entrou nas estatísticas oficiais, já que o balanço mais recente do governo do estado, divulgado às 11h, trazia o registro de 106 mortes.

Além desse número de óbitos, o temporal deste ano deixou mais de 6 mil pessoas desabrigadas. Essa tragédia já é considerada o maior desastre do século 21 em Pernambuco.

A conhecida cheia de 1975 ocorreu em julho, no pico da temporada chuvosa, enquanto o desastre deste ano aconteceu no início desse período de chuvas, em maio.

Nas maiores cheias do século passado, tanto a de 1966 quanto a de 1975, o Rio Capibaribe transbordou. Segundo historiadores, a maioria das vítimas morreu, principalmente, por afogamento, por problemas cardíacos e por contaminação de água.

Na tragédia deste ano, quase todas as vítimas morreram soterradas por barreiras que deslizaram. Desde o dia 25 de maio, houve mortes no Recife, em Jaboatão dos Guararapes, em Camaragibe e em Olinda.

De acordo com o historiador e jornalista Leonardo Dantas, que fez parte da cobertura da cheia de 1966 quando trabalhava no “Jornal do Commercio”, os corpos eram tantos que houve dificuldade para enterrar os mortos.

“A cheia de 1966 me pegou, assim como a de 1975. Meu chefe me mandou procurar o número de mortes e foi muito difícil. Naquela época, o que aconteceu foi inundação do Capibaribe, mas não houve problemas nas barreiras. O pessoal que estava nos morros estava seguro, mas tinha bem menos gente que hoje em dia. Dom Hélder Câmara chegou a montar a Operação Esperança [que atuava em apoio a populações vulneráveis]”, afirmou Leonardo.


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