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A Justiça Federal acatou pedido do Ministério Público Federal (MPF) e enviou para o Supremo Tribunal Federal (STF) o caso dos pastores que comandavam um gabinete paralelo no Ministério da Educação (MEC).

No pedido, o MPF apontou “indício de vazamento da operação policial e possível interferência ilícita por parte do Presidente da República Jair Messias Bolsonaro nas investigações”

Na quinta-feira (23), o delegado do caso reclamou em grupo de mensagens com colegas da instituição sobre essa interferência.O juiz Ricardo Borelli, da 15ª Vara de Justiça Federal de Brasília, que estava com o caso e autorizou a operação desencadeada na quarta-feira (22), atendeu ao pedido do MPF. No STF, a relatora será a ministra Cármen Lúcia.

Na operação de quarta, agentes prenderam o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, os dois pastores acusados de pedir propina para intermediar a liberação de verbas públicas para municípios mediante pagamento de propina, conforme denúncias feitas por prefeitos que estiveram com ambos em Brasília.

Ribeiro, os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura e demais presos na operação foram soltos no fim da tarde de quinta, por determinação judicial.

Conversas telefônicas mostram que Milton Ribeiro sabia da operação

O portal G1 mostrou transcrições de conversas telefônicas interceptadas pela PF, com autorização da Justiça, que apontam indícios de que Milton Ribeiro foi avisado sobre a operação com antecedência e que houve interferência na investigação. Esses trechos embasaram o pedido do MPF para caso ser remetido ao STF.

Conversa com uma pessoa identificada como Waldomiro

MILTON: Tudo caminhando, tudo caminhando. Agora… tem que aguardar né…. alguns assuntos tão sendo resolvidos pela misericórdia divina né…negócio da arma, resolveu… aquele… aquela mentira que eles falavam…que os ônibus estavam superfaturados no FNDE… pra… (ininteligível) também… agora vai faltar o assunto dos pastores, né? Mas eu acho assim, que o assunto dos pastores… é uma coisa que eu tenho receio um pouco é de… o processo… fazer aquele negócio de busca e apreensão, entendeu?

Conversa com pessoa identificada como Adolfo

MILTON: (…) mas algumas coisas já foram resolvidas né… acusação de que houve superfaturamento… isso já foi… agora, ainda resta o assunto do envolvimento dos pastores, mas eu creio que, no devido tempo, vão ser esclarecidos….

Em conversa com um parente

MILTON: Não! Não é isso… ele acha que vão fazer uma busca e apreensão…em casa… sabe… é… é muito triste. Bom! Isso pode acontecer, né? se houver indícios né…

Milton Ribeiro disse que abriu portas a pedido de Bolsonaro.Em entrevistas e em áudio gravado por um prefeito, Milton Ribeiro diz ter aberto as portas do MEC aos pastores por ordem de Bolsonaro.

Os religiosos já frequentavam o Palácio do Planalto antes de Ribeiro assumir o ministério. O GSI chegou a impor sigilo sobre as visitas dos pastores ao Planalto, mas, diante da repercussão negativa, liberou a informação.

A Polícia Federal diz ter provas dos supostos crimes cometidos pelos pastores. O juiz que autorizou as prisões e as buscas e apreensões na operação deflagrada na manhã de quinta-feira afirmou haver fortes indícios contra os religiosos, Milton Ribeiro, que também é pastor, e outros dois acusados presos.


Paola Tito

editor