No discurso de despedida da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luiz Fux afirmou que, nos dois últimos anos, a Corte foi alvo de “severos ataques em tons jamais vistos”. Fux evitou citar o presidente Jair Bolsonaro (PL), autor de xingamentos públicos a ministros do STF durante esse período.
Fux mencionou que um “golpe do destino” o fez chefiar o Poder Judiciário “num dos momentos mais trágicos e turbulentos de nossa trajetória recente”. “Não bastasse a pandemia, nos últimos dois anos, a Corte e seus membros sofreram severos ataques em tons e atitudes jamais vistos na história do país. Não houve um dia sequer em que a legitimidade de nossas decisões não tenha sido questionada, seja por palavras hostis, seja por atos antidemocráticos”, afirmou.
A gestão Fux foi marcada por crises sucessivas com o presidente Jair Bolsonaro, que elegeu os ministros do STF como alvos principais da sua escalada retórica e institucional contra os demais Poderes. Nos últimos dois anos, Bolsonaro centrou ataques em membros da Corte como Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e, principalmente, Alexandre de Moraes. Em momentos mais tensos, porém, Fux chegou a ser cobrado pelo chefe do Executivo, como no feriado de 7 de Setembro do ano passado, quando Bolsonaro cobrou que o ministro “enquadrasse” Moraes para que a Corte não sofresse as consequências.

