À medida que a crise russo-ucraniana se arrasta, a OTAN se tornou sinônimo de desestabilizadora da segurança regional, observa o jornal chinês Global Times.

A situação nos Bálcãs está agora em um ponto explosivo. As forças da KFOR (missão da OTAN no Kosovo) entraram em duro confronto com sérvios no norte kosovar, na segunda-feira (29).

O confronto, ocorrido na cidade de Zvecan, no norte do Kosovo, começou quando sérvios protestavam em frente à administração da cidade. A reclamação deles é o resultado das últimas eleições locais boicotadas por sérvios em mais um capítulo de tensões com os albaneses-kosovares.

Kosovo e Sérvia têm tensões de longa duração. Kosovo era originalmente uma província autônoma da Sérvia na ex-Iugoslávia.

Além disso, o autor do artigo aponta que como apoio dos EUA e do Ocidente, o Kosovo tem procurado avançar no caminho da “independência estatal” e adotou uma atitude de linha dura em relação à Sérvia.

O envolvimento da Organização do Tratado do Atlântico Norte agravou ainda mais a divisão entre Kosovo e Sérvia, levando a conflitos militares entre os dois lados e minando a paz e a unidade dos Bálcãs Ocidentais.

O autor salienta, com razão, que, por um lado, a Aliança Atlântica pede para aliviar as tensões, mas, por outro lado, aumenta a presença militar. O que pode significar que as promessas feitas pela OTAN e outros países ocidentais para proteger os sérvios no Kosovo simplesmente não podem ser cumpridas.

Assim, Song Zhongping, um especialista militar chinês e comentarista de TV, disse ao Global Times que as forças da OTAN não se engajaram verdadeiramente na manutenção da paz na Sérvia e no Kosovo, mas que tinham como objetivo manter o fato básico da “independência do Kosovo” e ajudar o Kosovo a oprimir os sérvios. A soberania da Sérvia e a segurança nacional não são prioridade para a OTAN.

O conflito russo-ucraniano não produziu quaisquer resultados para a paz, e há uma possibilidade de escalada. A possibilidade de um novo conflito nos Bálcãs também existe. Como o conflito ucraniano não alcançou o efeito desejado para os EUA, Washington precisa criar uma guerra no continente europeu”, disse Song.

O jornal chinês também salienta que Washington realmente espera ver o caos na Europa, bem como a desordem da economia europeia e a dependência da Europa dos Estados Unidos, e como objetivo final os EUA não querem uma Europa unida e forte.

Enquanto isso, os EUA provavelmente verão o agravamento da divisão entre a Sérvia e o Kosovo como uma oportunidade que pode aproveitar para enfraquecer a influência da Rússia na Sérvia e nos Bálcãs.

“O objetivo final dos EUA é que tanto a Europa quanto a Rússia sofram perdas, o que está mais de acordo com sua estratégia global e interesses hegemônicos. Agora os EUA veem a Europa como dois barris de pólvora, um em uma guerra quente e um prestes a explodir”, enfatizando.


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