O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco tem intensificado articulações políticas para viabilizar uma possível candidatura ao Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. Embora ainda evite confirmar publicamente a intenção de disputar o cargo, o senador do PSD tem ampliado conversas com diferentes forças políticas, buscando construir uma aliança que vai desde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva até lideranças da oposição, como o deputado federal Aécio Neves, do PSDB.

A movimentação ocorre em meio a um cenário político complexo em Minas Gerais, estado que possui o segundo maior eleitorado do país e desempenha papel decisivo nas eleições presidenciais. Lula tem demonstrado interesse em contar com um aliado competitivo na disputa estadual, especialmente para fortalecer sua própria campanha de reeleição. Nesse contexto, o nome de Pacheco passou a ser visto por integrantes do governo federal como uma alternativa capaz de reunir apoios diversos.

Nos bastidores, interlocutores afirmam que o presidente da República corteja o senador há vários meses. O petista entende que uma candidatura forte em Minas Gerais pode ajudar a consolidar sua presença política no estado. Por isso, aliados do governo têm incentivado Pacheco a entrar na disputa pelo governo mineiro, ainda que o parlamentar não tenha confirmado oficialmente a candidatura.

Inicialmente, o senador havia sinalizado a pessoas próximas que poderia encerrar sua trajetória política após ter sido preterido na escolha do novo ministro do Supremo Tribunal Federal. Lula optou por indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta na Corte. A decisão foi interpretada por aliados de Pacheco como um revés político para o senador.

Apesar disso, nas últimas semanas o ex-presidente do Senado passou a dar sinais de que considera disputar o Governo de Minas Gerais. Conversas reservadas com lideranças partidárias e dirigentes políticos indicam que ele avalia a possibilidade de construir uma candidatura ampla, capaz de reunir setores de diferentes correntes políticas.

Entre as articulações em andamento está a tentativa de atrair o apoio do PSDB. O partido é presidido nacionalmente pelo deputado Aécio Neves, que também atua como uma das principais lideranças tucanas em Minas Gerais. Aécio avalia a possibilidade de disputar uma vaga no Senado em 2026, o que poderia resultar em uma aliança política com Pacheco.

Nos bastidores, dirigentes tucanos afirmam que conversas têm ocorrido com o senador. No entanto, integrantes do partido deixam claro que não pretendem integrar uma coligação que represente apoio direto à candidatura de Lula à Presidência da República. Um possível arranjo político discutido seria um acordo informal de apoio ao nome de Pacheco no estado, sem que o PSDB participe formalmente de uma aliança com o PT.

Esse tipo de entendimento permitiria que lideranças tucanas pedissem votos para o senador na disputa estadual sem que isso implicasse apoio automático à campanha presidencial do petista. A possibilidade tem sido discutida de maneira reservada dentro do PSDB e também entre aliados do senador mineiro.

Outra peça importante nas articulações políticas em Minas Gerais é a prefeita de Contagem, Marília Campos, do PT. Ela é apontada como uma possível candidata ao Senado em uma chapa que poderia ter Rodrigo Pacheco disputando o governo estadual. O arranjo eleitoral permitiria fortalecer a presença de aliados do presidente Lula no estado.

Apesar das conversas avançarem em diferentes frentes, o próprio Pacheco tem sinalizado a interlocutores que só aceitará disputar o governo mineiro caso sua candidatura seja considerada viável do ponto de vista político e eleitoral. Um dos principais obstáculos atualmente é a definição do partido pelo qual ele poderia concorrer.

Embora seja filiado ao PSD, o partido deve lançar como candidato ao governo o atual vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões. Diante desse cenário, aliados de Pacheco avaliam que uma mudança de legenda pode ser necessária para viabilizar sua participação na disputa.

Interlocutores próximos ao senador afirmam que caberia ao próprio presidente Lula ajudar a encontrar um partido com estrutura suficiente para sustentar a candidatura. A legenda escolhida precisaria ter presença política consolidada em Minas Gerais, além de garantir tempo de televisão e capilaridade eleitoral no interior do estado.

Entre as opções analisadas estão o União Brasil e o MDB. Nos dois casos, porém, existem obstáculos políticos. No União Brasil, parte dos deputados federais da legenda em Minas defende apoio ao senador Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Ainda assim, o deputado Rodrigo de Castro, aliado de Pacheco, assumiu recentemente o comando do diretório estadual do partido.

As conversas envolvendo o União Brasil contam também com a participação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, uma das principais lideranças nacionais da sigla. Embora mantenha distância política do governo Lula, Alcolumbre é considerado próximo de Rodrigo Pacheco e teria interesse em ajudá-lo a permanecer ativo no cenário político.

No caso do MDB, a situação também apresenta dificuldades. O presidente do diretório estadual do partido em Minas Gerais, Newton Cardoso Júnior, já lançou como pré-candidato ao governo o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo. Além disso, parte da legenda resiste à ideia de apoiar uma candidatura alinhada ao presidente Lula.

Mesmo assim, senadores do MDB discutem alternativas para viabilizar uma eventual filiação de Pacheco ao partido. A iniciativa conta com apoio de setores governistas da legenda, embora aliados próximos ao presidente da República reconheçam que um acordo com o MDB mineiro ainda enfrenta resistências.

Outra possibilidade considerada seria o PSB, partido que integra a base aliada do governo federal. No entanto, a alternativa é vista com pouca empolgação por parte do senador, já que a legenda possui menor presença política em Minas Gerais e não garantiria a estrutura eleitoral desejada.

O prazo para filiação partidária de candidatos que pretendem disputar as eleições de 2026 termina no início de abril. Até lá, as negociações políticas em torno da possível candidatura de Rodrigo Pacheco devem se intensificar.

No último dia 28, Lula e Pacheco viajaram juntos para o interior de Minas Gerais acompanhados de ministros do governo. Foi a primeira aparição pública dos dois após a escolha do novo ministro do Supremo Tribunal Federal.

Durante o voo no avião presidencial, integrantes do governo teriam se referido ao senador, em tom de brincadeira, como futuro governador de Minas Gerais. Segundo relatos de participantes da viagem, Pacheco reagiu com sorrisos, sem confirmar nem negar a possibilidade.

Ao chegarem à cidade de Juiz de Fora, que havia sido atingida por fortes temporais, Lula deu protagonismo ao senador em dois momentos da agenda. Primeiro, convidou Pacheco a falar durante uma reunião reservada com prefeitos da região. Em seguida, durante pronunciamento à imprensa, voltou a conceder a palavra ao senador, gesto interpretado por aliados como sinal de prestígio político dentro do governo federal.

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.


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