O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou neste sábado (27) que as restrições impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à sua participação em reuniões da Organização das Nações Unidas (ONU) podem atrasar, mas não impedirão o Brasil de firmar parcerias na área da saúde.
“Eles até podem restringir a circulação de um ministro, mas não podem restringir a ideia. Não conseguem segurar a circulação da ideia e nem a força do Brasil na cooperação internacional com os outros países para trazer investimentos para cá”, declarou Padilha durante visita às obras e inauguração de novas alas do Hospital Federal do Andaraí, na zona norte do Rio de Janeiro.
Padilha, sua esposa e a filha de dez anos sofreram represálias do governo norte-americano. No mês passado, os vistos da esposa e da filha foram cancelados, enquanto o do ministro já estava vencido desde 2024. Em setembro, durante a 80ª Assembleia Geral da ONU, realizada em Nova York, Trump suspendeu temporariamente a proibição de entrada de Padilha, mas restringiu seus deslocamentos ao hotel, à sede da ONU e a instalações médicas, em caso de emergência. Assim, a participação presencial do ministro na reunião do Conselho Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em Washington, ficou inviabilizada.
Padilha explicou que, diante dessas limitações, decidiu não viajar de Nova York para Washington. “Eu tinha reuniões marcadas em embaixadas de outros países e as restrições não permitiam que eu pudesse fazer isso. Tudo isso foi impedido por essas restrições absurdas. Isso pode atrasar, mas não vai impedir que a gente possa firmar essas parcerias”, disse.
O ministro afirmou que, embora as reuniões presenciais não tenham ocorrido, elas serão realizadas no Brasil ou em outros países.
Ao ser questionado sobre o impacto do tarifaço anunciado por Trump nos preços dos medicamentos, Padilha destacou que os efeitos recaem principalmente sobre a indústria exportadora brasileira. “O impacto que essas tarifas absurdas feitas pelo presidente dos Estados Unidos gerou é para a indústria exportadora brasileira. A gente tem uma indústria na área da saúde, sobretudo da saúde bucal, de equipamentos médicos e de insumos que exportava inclusive para os Estados Unidos”, explicou.
Padilha ressaltou que o governo federal está adotando medidas para mitigar esses efeitos, em conjunto com o Ministério da Saúde, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e o BNDES. A intenção é preservar empregos, manter a produção e buscar novos mercados. “Essa indústria está exportando para outros países, não tem só os Estados Unidos para exportar”, completou.
As restrições, segundo o ministro, também impulsionaram parcerias para produção nacional de medicamentos, como a insulina, essencial no tratamento da diabetes. Ele destacou que empresas americanas estão interessadas em transferir tecnologia para o Brasil.
Um exemplo citado foi o acordo para produção de vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por infecções respiratórias graves em bebês, como bronquiolite. Padilha informou que a vacina estará disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de novembro. “Essas empresas que têm sede nos Estados Unidos, nessas situações, investem ainda mais no Brasil, transferem a tecnologia aqui no Brasil. A gente garante a vacina da bronquiolite para o povo brasileiro com essas parcerias e vai gerando renda, empregos e tecnologia aqui no Brasil”, afirmou.
Durante a visita, o ministro apresentou o Implanon, um implante contraceptivo usado para prevenir a gravidez. O dispositivo, que custa entre R$ 3 mil e R$ 5 mil em clínicas particulares, será distribuído gratuitamente pelo SUS. Segundo Padilha, até o final deste ano serão disponibilizadas 500 mil unidades, chegando a 1,8 milhão até o fim de 2026. “Vai ser mais uma forma das mulheres poderem organizar a sua vida, organizar a vida da sua família e a gente poder reduzir algo que é muito grave no Brasil, que é a gravidez na adolescência”, destacou.
O ministro cumpriu agenda durante todo o sábado em hospitais do município do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense, em Nova Iguaçu. Além do Hospital Federal do Andaraí, visitou o Hospital Geral de Nova Iguaçu, o Instituto Estadual de Oncologia da Baixada Fluminense e o Rio Imagem Baixada – Centro de Diagnóstico.
No Hospital do Andaraí, a visita marcou a reabertura do Centro de Tratamento de Queimados, do setor de ortopedia e da cozinha, que estava fechada há mais de dez anos. Essas ações fazem parte do Plano de Reestruturação dos Hospitais Federais, que visa ampliar o atendimento especializado e reduzir o tempo de espera por cirurgias na rede federal, em articulação com o programa Agora Tem Especialistas.
O hospital recebe R$ 600 milhões em investimentos federais para recuperação da unidade, que está sob gestão municipal. Segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, 30% das obras já foram concluídas e a previsão é de que as principais intervenções estejam finalizadas no primeiro trimestre de 2026.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

