À procura de um palanque para o pré-candidato à presidência Ciro Gomes, o PDT avalia compor uma aliança com o PSDB em Minas Gerais. O arranjo, que levaria o PDT a aderir à chapa a ser encabeçada pelo ex-deputado federal Marcus Pestana (PSDB) ao governo de Minas, é uma alternativa à pré-candidatura de Miguel Corrêa (PDT). O ex-deputado federal está inelegível após ter sido condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder econômico durante a campanha para o Senado em 2018.
Embora as conversas ainda sejam incipientes, o PDT, caso abra mão da pré-candidatura de Corrêa, deve reivindicar a vaga de candidato ao Senado. “Ainda não fizemos nenhuma colocação sobre o espaço que pretendemos. Em um momento oportuno, vou dizer que o PDT pretende ter uma posição de destaque e a posição que nós vamos escolher é a do Senado”, confirma o presidente estadual do PDT, deputado federal Mário Heringer.
O raciocínio é que, como Ciro precisa de palanque, a candidatura trabalhista ao Senado lhe daria tempo de rádio e TV. Se vices não aparecem, candidatos a senadores, por exemplo, terão espaço às segundas, quartas e sextas-feiras durante o horário eleitoral gratuito. “Se tenho um candidato a senador, ele poderia colocar o Ciro ao seu lado. Já o vice não tem tempo de horário e tempo de TV específicos”, pondera Heringer.
A fórmula repetiria aquela já adotada pelo PDT em 2018. À época, o ex-deputado estadual Fábio Cherem foi candidato ao Senado na chapa encabeçada pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) Adalclever Lopes para dar palanque a Ciro. “O PDT tem vários quadros que podem fazer este papel”, acrescenta o presidente, sem citar quais. Desta vez, o vereador de Belo Horizonte Bruno Miranda (PDT), por exemplo, é cotado.
Entretanto, o deputado federal Aécio Neves (PSDB), que, de acordo com a pesquisa DATATEMPO realizada entre 27 de maio e 1º de junho, lidera as intenções de voto na corrida para o Senado, também é cotado. Questionado, Heringer diz que é uma questão a ser discutida mais à frente. “O nome dele estar aparecendo refaz um potencial histórico que Aécio tem, mas não sei se ele vai querer mesmo. Temos que aguardar a decisão individual de cada um de nós”, complementa o deputado federal.
A hipótese de embarcar no projeto do Pestana está sobre a mesa do PDT desde um almoço entre o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, o presidente estadual do PDT, Mário Heringer, e o deputado federal Aécio Neves (PSDB), em Brasília (DF), em 25 de maio. O TEMPO procurou Pestana e o presidente estadual do PSDB, deputado federal Paulo Abi-Ackel, mas, até o fechamento desta edição, não foi atendido.
Palanque duplo não seria problema
Caso as tratativas entre PDT e PSDB avancem, Pestana abriria um palanque duplo, já que os tucanos apoiam a pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MDB) à presidência da República. Porém, de acordo com Heringer, o cenário não seria um problema para o PDT. “Se o Pestana seria o palanque de Simone, o nosso candidato ao Senado seria o do Ciro”, afirma.
O presidente estadual do PDT argumenta que, ainda que ambos reivindiquem a condição de terceira via na corrida para o Palácio do Planalto, a disputa de Ciro não seria diretamente com Tebet. “A Simone, inclusive, é um sonho de consumo para a nossa chapa. Essa é a minha posição, não da Executiva nacional. Advogo por uma conversa a nível nacional com o MDB. Simone e Ciro juntos seria perfeito. E, talvez, trazer mais gente, até Janones”, cita Heringer.
Procurado por O TEMPO, o presidente estadual do MDB, deputado federal Newton Cardoso Júnior, não respondeu as mensagens, tampouco atendeu as ligações. O MDB é cortejado pelo PSDB para espelhar, em Minas, a aliança nacional, mas o partido ainda avalia a qual pré-candidatura irá aderir. O ponto pacífico, hoje, é que o MDB não terá pré-candidato próprio ao governo de Minas. Entretanto, nem o apoio ao governador Romeu Zema (Novo), nem ao ex-prefeito Alexandre Kalil (PSD) é descartado.
Pré-candidatura de Corrêa deve fazer água
A conversa entre PDT e PSDB é mais um indício de que a pré-candidatura de Corrêa deve ser retirada. A condição de inelegibilidade do ex-deputado federal foi mantida após a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber negar seguimento ao recurso extraordinário com agravo movido por Corrêa.
Heringer afirma que Corrêa ainda não saiu da disputa, mas admite que, do ponto de vista jurídico, a situação é “bem difícil”. “É claro que no mundo ideal Miguel, que é meu amigo, seria candidato, mas precisamos ir para o mundo real, que é de identificar que as possibilidades são difíceis. Estamos estudando e discutindo com o nosso jurídico, nacional e estadual, e conversando com o Miguel sobre a possibilidade de continuar ou não”, pondera o deputado federal.
Questionado, Corrêa também não respondeu ao joranl. A pré-candidatura do ex-deputado federal começou a ser desidratada ainda em maio, quando Ciro, ao ser perguntado sobre Corrêa ter dito que “a vitória de Ciro é ter Lula no governo do Brasil”, o criticou. “Não é do PDT e não será candidato. É inelegível porque tem ficha suja. (…) Não sei o que ele veio fazer aqui, saindo ontem do PT e se filiando ao PDT. Este cidadão, e eu falo isso publicamente, não é companheiro.”

