O presidente do PDT de Minas Gerais e deputado federal Mário Heringer reafirmou que o partido manterá a pré-candidatura de Alexandre Kalil ao Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. A manifestação ocorreu após rumores de que a legenda poderia desistir da candidatura própria para apoiar uma composição liderada pelo PT, em meio às articulações para a formação do palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado.
Em publicação nas redes sociais, Heringer classificou como falsas as informações sobre uma possível mudança de estratégia e afirmou que Kalil permanece como o nome escolhido pelo partido para disputar o Palácio Tiradentes. Segundo o dirigente, o PDT cumprirá os compromissos assumidos e não haverá desistência nem interferência no projeto político já definido.
Na postagem, o parlamentar afirmou que Alexandre Kalil é “candidatíssimo” ao governo mineiro e pediu que fossem encerradas as especulações. A declaração foi interpretada como uma resposta direta às informações que passaram a circular nos bastidores da política estadual nas últimas semanas.
Em entrevista ao jornal “O Tempo”, Heringer explicou que decidiu tornar pública sua posição para combater o que classificou como um boato. Segundo ele, após o apoio do PT à candidatura de Juliana Brizola ao governo do Rio Grande do Sul, integrantes do PT mineiro passaram a defender uma composição semelhante em Minas Gerais, com o PDT abrindo mão da candidatura de Kalil.
O dirigente afirmou, entretanto, que a direção estadual do partido está unida em torno do ex-prefeito de Belo Horizonte e que não existe qualquer discussão interna sobre a retirada de sua candidatura. Heringer ressaltou que o PDT considera importante apresentar um projeto próprio para Minas Gerais e pretende manter esse planejamento até o período oficial das convenções.
Ao comentar o cenário político, o presidente do PDT lembrou as eleições estaduais de 2018. Na ocasião, o então prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, era apontado como candidato ao governo pelo PSB, mas acabou deixando a disputa após um acordo político envolvendo PDT e PT para apoiar a tentativa de reeleição do então governador Fernando Pimentel.
Apesar de descartar qualquer retirada da candidatura de Kalil neste momento, Heringer admitiu que entendimentos políticos poderão ocorrer em um eventual segundo turno, caso haja convergência entre as forças que apoiam o governo federal.
Enquanto o PDT reafirma sua posição, o PT mineiro enfrenta um intenso debate interno sobre qual estratégia eleitoral deverá adotar. Parte da direção estadual passou a defender uma candidatura própria ao governo após a desistência do senador Rodrigo Pacheco de disputar o cargo.
Nesse contexto, surgiu a possibilidade de a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, assumir a candidatura ao Executivo estadual. Entretanto, a própria petista tem manifestado resistência à ideia e reafirmado seu interesse em disputar uma vaga no Senado Federal.
Após reunião realizada com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, Marília voltou a defender a manutenção de sua pré-candidatura ao Senado. O encontro também contou com a participação da presidente estadual do partido, Leninha.
Uma nota divulgada pelo economista José Prata Araújo, coordenador da campanha de Marília, criticou a possibilidade de lançamento de candidatura própria ao governo. O documento afirma que essa estratégia poderia favorecer a reorganização das forças de direita em Minas Gerais e dificultar a construção de uma ampla aliança em torno do projeto político apoiado por Lula.
Segundo o texto, a experiência do PT no comando do governo mineiro entre 2015 e 2018 não foi suficiente para consolidar uma base eleitoral capaz de sustentar uma nova candidatura ao Executivo estadual. A avaliação apresentada é de que uma chapa liderada por um partido de centro teria maiores condições de reunir apoios e ampliar a competitividade contra os adversários.
A nota também sustenta que uma candidatura de Marília ao governo recolocaria a polarização política no centro da campanha, cenário considerado favorável aos grupos de oposição. Para os defensores dessa avaliação, o presidente Lula poderia até enfrentar dificuldades para conduzir sua campanha em Minas diante da necessidade de administrar disputas locais.
Marília tem reiterado publicamente sua preferência por uma composição envolvendo partidos como PT, MDB, PSB e PDT. Em declarações recentes, afirmou que continua acreditando na construção de uma frente ampla semelhante à discutida anteriormente em torno de Rodrigo Pacheco.
Nos últimos dias, a ex-prefeita participou de compromissos públicos ao lado de outros possíveis candidatos ao governo estadual, entre eles Gabriel Azevedo e Jarbas Soares Júnior, reforçando o diálogo entre diferentes legendas.
Como o impasse permanece, Edinho Silva deverá levar o tema ao presidente Lula para discutir os próximos passos da estratégia eleitoral em Minas Gerais. Enquanto isso, o diretório estadual do PT informou que novas conversas ocorrerão ao longo da semana na tentativa de construir um consenso entre as diferentes correntes do partido.
O cenário eleitoral mineiro permanece aberto, com negociações envolvendo diversas legendas e lideranças políticas. Embora alianças futuras não estejam descartadas, tanto o PDT quanto Marília Campos mantêm, por enquanto, suas posições públicas, indicando que as definições sobre a disputa pelo Governo de Minas ainda dependerão das articulações previstas para os próximos meses.
Foto: Divulgação

