O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso foi novamente abordado por um bolsonarista enquanto caminhava em Nova York, nos Estados Unidos. “Perdeu, mané. Não amola”, disse o ministro ao manifestante. O episódio aconteceu hoje.

É o segundo episódio de intimidação que Barroso sofre durante a viagem aos EUA, onde participou, ao lado de outros ministros do STF, de um evento do grupo empresarial Lide. Da vez anterior, Barroso pediu que a mulher que o abordou não fosse “grosseira”.

No vídeo de hoje, o homem questiona Barroso durante a entrada no local do evento: “O senhor vai responder às Forças Armadas? Vai deixar o código fonte ser exposto? Brasil precisa dessa resposta ministro, com todo respeito”. Ao que o ministro responde: “Perdeu, mané, não amola”.

O relatório sobre as urnas eletrônicas elaborado e divulgado pelas Forças Armadas comprovou a contagem oficial de votos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e não identificou fraude alguma, como tentou sustentar o manifestante.

É possível ver, na imagem, o ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), caminhando ao lado de Barroso, que comandou a Justiça Eleitoral até fevereiro deste ano.

Os ministros foram alvos constantes do atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), que fazia ataques às urnas eletrônicas sem apresentar provas. Bolsonaro perdeu o segundo turno da eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que assume o governo federal em 1º de janeiro de 2023.

Barroso se manifestou no Twitter após o episódio. “A República ideal é feita com integridade, patriotismo, liberdades públicas, igualdade de oportunidades, respeito, pluralismo e uma agenda de interesse público capaz de aglutinar as pessoas, e não dividi-las. Precisamos acertar”, escreveu.

No começo do mês, a Polícia Militar teve de ser acionada para ajudar Barroso a se afastar de um grupo de apoiadores de Bolsonaro, em Porto Belo (SC).

Na ocasião, Barroso se manifestou sobre o episódio de Santa Catarina. “A democracia comporta manifestações pacíficas de inconformismo, mas impõe a todos os cidadãos o respeito ao resultado das urnas.

O desrespeito às instituições e às pessoas, assim como as ameaças de violência, não fazem bem a nenhuma causa e atrasam o país, que precisa de ordem e paz para progredirmos”, disse.

Rosa Weber repudiou ataques em nota. Ontem, a presidente do STF, ministra Rosa Weber, criticou as intimidações contra seus colegas.

O Supremo Tribunal Federal repudia os ataques sofridos por ministros da Corte”, disse, em nota. “A democracia, fundada no pluralismo de ideias e opiniões, a legitimar o dissenso, mostra-se absolutamente incompatível com atos de intolerância e violência, inclusive moral, contra qualquer cidadão.”

A tensão entre o presidente da República e o ministro do STF começou há pouco mais de um ano, quando governistas no Congresso Nacional tentaram aprovar um projeto de lei em que a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) questionava a segurança das urnas eletrônicas e apontava vulnerabilidades no sistema de votação.

Presidido por Barroso à época, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se manifestou reiteradamente contra a proposição, que não obteve os votos necessários para ser aprovada. Desde então, Bolsonaro tem atacado o posicionamento do ministro, contrário ao voto impresso.

Em 1º de novembro, Barroso deixou as imediações do STF pouco antes de Bolsonaro chegar no prédio, em que se reuniu com a presidente do tribunal, Rosa Weber, os ministros Luiz Edson Fachin, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça, e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Após o encontro, Fachin afirmou que Bolsonaro sinalizou que aceita a derrota para o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “O presidente da República utilizou o verbo acabar no passado. Ele disse ‘acabou’. Portanto, olhar para frente”, afirmou o magistrado a jornalistas.


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