Um levantamento da Genial/Quaest revelou forte mudança na percepção dos brasileiros em relação aos Estados Unidos e à China após o tarifaço do presidente norte-americano Donald Trump. A pesquisa aponta que a imagem de Washington despencou, enquanto a de Pequim avançou significativamente entre os entrevistados.
Na sondagem, realizada entre 13 e 17 de agosto, os participantes foram questionados se tinham opinião favorável ou desfavorável sobre alguns países. O resultado mostrou que 48% dos brasileiros declararam ter visão negativa dos Estados Unidos, o dobro em comparação com fevereiro de 2024, quando eram 24%. Já a parcela que tinha avaliação positiva caiu de 58% para 44%.
A piora da percepção ocorreu no contexto da imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, da revogação de vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e da inclusão de Alexandre de Moraes entre os sancionados pela Lei Magnitsky. As medidas foram justificadas por Trump com acusações de violações à liberdade de expressão e perseguição contra Jair Bolsonaro e aliados.
Enquanto isso, a avaliação dos brasileiros em relação à China melhorou. A fatia dos que têm imagem positiva subiu de 38% em fevereiro para 49% atualmente, enquanto a visão desfavorável caiu de 41% para 37%. A aproximação ocorre em meio à trégua comercial firmada entre Washington e Pequim e ao avanço dos investimentos chineses no Brasil, que já ocupa a segunda posição global como destino preferencial.
Especialistas, afirmaram que o endurecimento da política comercial dos Estados Unidos tende a impulsionar ainda mais os aportes chineses no país. A pesquisa ouviu 12.150 pessoas, em oito estados que representam 66% do eleitorado nacional, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Foto: Andrew Caballero

