A nova pesquisa Genial/Quaest trouxe sinais de dificuldade para o projeto político do ex-governador Romeu Zema de transferir capital eleitoral ao governador Mateus Simões na disputa pelo Palácio Tiradentes. Escolhido como nome da continuidade administrativa, Simões aparece em posição desfavorável nos cenários testados e enfrenta, além do baixo índice de conhecimento entre eleitores, o impacto da queda na aprovação do padrinho político.

Segundo o levantamento, 68% dos entrevistados afirmam não conhecer o atual governador, índice elevado para um candidato que busca consolidar imagem a poucos meses do primeiro turno. O dado é apontado como um dos principais entraves para o projeto de sucessão, sobretudo diante do desempenho mais robusto de concorrentes já conhecidos do eleitorado mineiro.

O senador Cleitinho lidera todos os cenários testados e aparece como principal nome da disputa até o momento. No quadro mais amplo de primeiro turno, alcança 30% das intenções de voto, enquanto o ex-prefeito Alexandre Kalil surge em segundo lugar, com 14%. O senador Rodrigo Pacheco aparece com 8%, enquanto Mateus Simões registra 4%, empatado tecnicamente em alguns cenários.

O desempenho é interpretado como desafio para a estratégia do grupo ligado a Zema, que apostava na transferência de apoio político e administrativo para impulsionar a candidatura do atual governador. A pesquisa, porém, sugere que esse movimento ainda não se converteu em intenção de voto consolidada.

Além do problema de conhecimento público, o levantamento identificou recuo na avaliação positiva do governo Zema. A aprovação do ex-governador caiu em comparação com medições anteriores, enquanto a avaliação negativa cresceu. Esse movimento tende a influenciar o ambiente político em que Simões tenta se afirmar como sucessor.

Nos cenários de segundo turno, Cleitinho também aparece em vantagem expressiva. Contra Simões, o senador abre ampla distância, enquanto lidera igualmente diante de Kalil e Pacheco. Em confrontos sem Cleitinho, outros nomes também superam numericamente o atual governador, reforçando o quadro adverso.

Um dos pontos observados por analistas é que Simões assumiu o governo há pouco tempo, após a desincompatibilização de Zema para disputar a Presidência, e ainda não consolidou identidade própria junto ao eleitorado. Isso alimenta a avaliação de que sua candidatura depende de ampliação de visibilidade e diferenciação política nos próximos meses.

Apesar do cenário desfavorável, aliados do governador argumentam que eleições em Minas historicamente registram mudanças ao longo da campanha. O próprio Simões afirmou receber os números com cautela e destacou que disputas no estado já foram vencidas por candidatos que iniciaram em desvantagem nas pesquisas.

No campo adversário, a indefinição sobre a candidatura de Cleitinho também é elemento relevante. O senador ainda não oficializou se disputará o governo, e essa incerteza pode alterar o desenho da corrida. Em cenários sem seu nome, Kalil assume a liderança, enquanto Pacheco amplia competitividade.

Outro fator que mantém a disputa aberta é o elevado número de indecisos. Nos cenários estimulados, a parcela de eleitores sem definição ainda é significativa, enquanto na pesquisa espontânea a maioria não aponta candidato de preferência. Esse dado sugere espaço para movimentações e reconfigurações ao longo da campanha.

A sondagem também mostra que boa parte do eleitorado mineiro admite possibilidade de mudar de voto. Isso reforça a leitura de que, embora haja sinais desfavoráveis para o projeto sucessório de Zema, o quadro ainda está em formação.

No campo bolsonarista, o empresário Flávio Roscoe aparece com desempenho modesto, enquanto setores do PL seguem buscando estrutura para fortalecer palanque em Minas. O estado é considerado estratégico para a eleição presidencial, o que tende a aumentar o peso das articulações locais.

A presença de múltiplos polos competitivos também dificulta a transferência automática de apoio político. Mesmo com a máquina estadual e o respaldo de Zema, Simões enfrenta cenário fragmentado, com adversários de perfis distintos e bases eleitorais já estabelecidas.

Para o grupo governista, o desafio imediato é transformar desconhecimento em exposição positiva e conter os efeitos do desgaste captado na avaliação do governo anterior. Esse processo passa por comunicação, alianças e capacidade de apresentar agenda própria.

A pesquisa, assim, indica que a sucessão mineira segue aberta, mas revela obstáculos para o projeto de continuidade liderado por Zema. O desempenho atual de Mateus Simões expõe dificuldades para emplacar o aliado como sucessor, ao menos neste estágio inicial da disputa.

Foto: Dirceu Aurélio/ Agencia Minas


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