A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (1º) que permitirá o parcelamento do reajuste de 54,8% aplicado ao querosene de aviação (QAV). A medida vale para distribuidoras que atendem à aviação comercial, que poderão pagar inicialmente apenas 18% de aumento e parcelar o restante em até seis vezes, a partir de julho.
Na prática, as empresas terão três meses de carência antes do pagamento da primeira parcela. O objetivo é reduzir o impacto imediato sobre o setor aéreo, já que o combustível representa quase um terço dos custos operacionais das companhias, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil.
A estatal informou que disponibilizará até a próxima segunda-feira (6) um termo de adesão ao parcelamento, com validade retroativa a 1º de abril. De acordo com a companhia, a iniciativa busca preservar a demanda e garantir o funcionamento do mercado diante da alta internacional dos combustíveis.
Segundo a Petrobras, o mecanismo também contribui para a saúde financeira dos clientes, sem comprometer o equilíbrio da empresa. A decisão ocorre em meio à forte elevação das cotações globais de derivados de petróleo, influenciada por tensões geopolíticas no Oriente Médio.
A empresa indicou ainda que o parcelamento poderá continuar sendo oferecido nos meses de maio e junho, dependendo das condições do mercado. A estatal reforçou que mantém compromisso com uma política de preços equilibrada, evitando repasses abruptos da volatilidade internacional.
O reajuste de abril foi significativamente superior aos meses anteriores. Em março, o aumento havia sido de 9%, enquanto em fevereiro houve queda de 1%. A escalada recente está relacionada à instabilidade global na oferta de petróleo.
O barril do tipo Brent, referência internacional, está sendo negociado acima de US$ 101, equivalente a cerca de R$ 520. Antes do agravamento do conflito, o preço girava em torno de US$ 70.
A tabela divulgada pela Petrobras mostra reajustes entre 53,4% e 56,3% nos pontos de venda. Em Ipojuca, por exemplo, o litro do QAV passou de R$ 3,49 para R$ 5,40.
A Petrobras responde por cerca de 85% da produção de querosene de aviação no país, mas o mercado é aberto à concorrência, permitindo a atuação de outras empresas na produção e importação do combustível.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

