A Polícia Federal (PF) marcou novos depoimentos de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, e Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), sobre as blitze realizadas durante as eleições de 2022. Vasques foi ouvido nesta segunda-feira (7) por videoconferência, enquanto o depoimento de Torres foi agendado para a próxima semana.
Ambos foram indiciados pela PF por supostamente atuar para dificultar o trânsito de eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições. Segundo fontes da investigação, Silvinei Vasques negou que as blitze tenham sido intensificadas para prejudicar o processo eleitoral, mas a PF considera as explicações “incoerentes” e avalia que seu indiciamento será mantido.
Além de Torres e Vasques, quatro integrantes da PF, cedidos ao Ministério da Justiça na época, também foram indiciados e estão sendo ouvidos esta semana. São eles Alfredo de Souza Lima Coelho Carrijo, Fernando de Sousa Oliveira, Marília Ferreira de Alencar e Leo Garrido de Salles Meira, este último já tendo prestado depoimento na semana passada.
Em agosto, a PF indiciou os seis com base no artigo 359-P do Código Penal, que penaliza quem restringe ou dificulta o exercício de direitos políticos por meio de violência física. Na mesma ocasião, a PF solicitou mais prazo ao Supremo Tribunal Federal (STF) para concluir as investigações e interrogatórios, além de apresentar um relatório final.
A defesa de Silvinei Vasques, no entanto, argumenta que a acusação de bloqueio de estradas por preferência política não existe no Código Penal, e que, mesmo se houvesse ocorrido, o ato deveria ser classificado como prevaricação, delito que geralmente não resulta em prisão.

