A Polícia Federal indiciou o perito Eduardo Tagliaferro por supostamente ter vazado mensagens trocadas por servidores dos gabinetes do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Tagliaferro foi chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE e, segundo a PF, cometeu o crime de violação de sigilo funcional com dano à administração pública.
A investigação aponta que o objetivo do vazamento foi descredibilizar o Judiciário, prejudicar a imagem do STF e comprometer a imparcialidade dos ministros. Em seu relatório, o delegado Thiago Batista Peixes afirma que a divulgação teve como intenção “macular a honra” da Corte e “turbar o cenário político-social do país”. O inquérito foi anexado ao das fake news, que apura ataques e ameaças a ministros do Supremo.
A divulgação das mensagens gerou reação imediata de Alexandre de Moraes, que determinou a abertura da investigação. O ministro indicou que o vazamento pode estar ligado a uma organização criminosa com o objetivo de desestabilizar instituições republicanas. Em trecho do relatório final, a PF reforça essa tese: “As informações divulgadas vão além da violação de sigilo funcional, eis que têm o condão de desacreditar a mais alta corte do Poder Judiciário”.
Tagliaferro nega qualquer envolvimento com o vazamento. Em nota enviada por seu advogado, Eduardo Kuntz, o perito “reitera, categoricamente, que não foi responsável pelo suposto vazamento”. A defesa também afirma esperar que a Procuradoria-Geral da República (PGR) “verifique a fragilidade da investigação e não acolha as ilações contidas no relatório policial”.
Em agosto de 2024, durante depoimento à PF em São Paulo, Tagliaferro teve seu celular apreendido. A investigação aponta que esse aparelho havia sido habilitado na véspera da audiência, cerca de quatro horas após ele ter recebido a intimação, o que levantou suspeitas. A PF argumenta que a substituição de celular pode indicar tentativa de ocultar informações relevantes: “Se Eduardo se dirigiu à Polícia Federal com a expectativa de ter o aparelho apreendido e, sobretudo, levou aparelho diverso do que utilizava, é de se cogitar que neste dispositivo há algo encoberto e que ele não quer revelar”, diz o relatório.
Além disso, a investigação também aborda um outro episódio. Em maio de 2023, Tagliaferro foi preso em flagrante sob acusação de violência doméstica, o que resultou em sua exoneração do TSE. Na ocasião, seu celular foi apreendido pela Polícia Civil de São Paulo e, segundo o boletim de ocorrência, lacrado. Após ser devolvido, o aparelho foi destruído e descartado pelo perito, o que também é apontado como conduta suspeita pela PF.
Em entrevista ao jornal “O Estado de São Paulo”, Tagliaferro negou veementemente envolvimento no vazamento e atribuiu a divulgação das mensagens à Polícia Civil paulista. No entanto, a PF rebate essa versão em seu relatório, afirmando que o perito tentou “baralhar a investigação” ao responsabilizar indevidamente servidores da segurança pública do estado de São Paulo.
O relatório final foi entregue ao ministro Alexandre de Moraes nesta quarta-feira (2). Após receber as conclusões da PF, Moraes deu um prazo de 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República se manifeste. A PGR deverá decidir se oferece denúncia criminal contra Tagliaferro, arquiva o caso ou solicita novas diligências para aprofundar as investigações.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

