A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira operação para investigar um perito criminal federal suspeito de vazar informações sigilosas relacionadas à Operação Compliance Zero, investigação que apura fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e outros crimes ligados ao Banco Master. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, que determinou o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão contra o servidor investigado.
Segundo informações divulgadas pelo Supremo, o perito teria repassado dados sigilosos a uma integrante da imprensa no início das investigações. O material compartilhado continha informações extraídas da análise de documentos e equipamentos apreendidos durante uma das primeiras fases da operação. Além do afastamento imediato das funções, o investigado também foi submetido a medidas cautelares, incluindo proibição de manter contato com outros investigados e restrição para deixar a comarca onde reside.
De acordo com o Supremo Tribunal Federal, a investigação busca impedir novos vazamentos e reunir provas sobre a eventual participação do servidor no compartilhamento ilegal das informações. O perito poderá responder pelo crime de violação de sigilo funcional, previsto no Código Penal, cuja pena varia de seis meses a seis anos de prisão.
A Corte destacou ainda que as medidas não têm qualquer relação com o trabalho da imprensa ou com jornalistas responsáveis pela divulgação das informações. Em nota oficial, o Supremo afirmou que a investigação preserva integralmente a liberdade de atuação jornalística e o direito constitucional ao sigilo da fonte, garantido pelo artigo quinto da Constituição Federal.
A Operação Compliance Zero completou seis meses nesta semana e já resultou em vinte e uma prisões, além do cumprimento de cento e dezesseis mandados de busca e apreensão. Segundo as investigações, mais de vinte e sete bilhões de reais em bens e valores foram bloqueados ou sequestrados judicialmente. A operação também apura relações mantidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro com políticos, integrantes do sistema financeiro, servidores públicos e agentes de órgãos de fiscalização, incluindo o Banco Central e a própria Polícia Federal.
Foto: Sindicato dos policiais federais-DF

