A Polícia Federal (PF) realizou novas buscas e apreensões no âmbito da Operação Contragolpe, segundo informou o diretor-geral da corporação, delegado Andrei Rodrigues, na manhã desta quarta-feira (4). Durante um encontro com jornalistas no Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, Rodrigues revelou que as ações ocorreram após a divulgação do relatório da operação, que indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais 36 pessoas por planejar a prisão e o assassinato de autoridades, incluindo o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
O relatório, divulgado no último dia 26, contém 884 páginas e detalha os indiciamentos e provas levantadas pela operação. De acordo com Rodrigues, além das apreensões, foram coletadas novas mídias e determinadas oitivas de pessoas envolvidas na investigação, conforme ordem do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF. “As novas diligências serão anexadas às petições relacionadas ao inquérito principal, que foi concluído, mas continua recebendo complementações à medida que novas evidências são coletadas”, explicou o diretor-geral.
Rodrigues também comentou sobre os codinomes utilizados pelos envolvidos no suposto plano “Punhal Verde Amarelo”. Lula era identificado como “Jeca”, Alckmin como “Joca” e um alvo ainda não identificado, referido como “Juca”, permanece sob investigação.
Outro ponto abordado foi o andamento do inquérito sobre a chamada “Abin Paralela”, suposto esquema montado por aliados de Bolsonaro para monitorar adversários, incluindo jornalistas, parlamentares e ministros do STF. Rodrigues destacou o esforço da PF para concluir essa investigação ainda este ano, embora tenha ressaltado que o processo segue o ritmo natural das apurações.
Sobre a tentativa de golpe, o delegado apontou que militares indiciados utilizaram técnicas sofisticadas para dificultar as investigações. Ele revelou que os investigados chegaram a estudar o caso do assassinato da vereadora Marielle Franco, ocorrido em 2018, como forma de aprender a evitar rastros. “Os celulares usados eram registrados em nome de terceiros, e eles evitavam serviços como Uber para não serem rastreados. Um dos investigados chegou a caminhar por meia hora para monitorar a casa do ministro Alexandre de Moraes, evitando qualquer meio de transporte identificável”, relatou Rodrigues.
Foto: Marcelo Camargo/Agencia Brasil

