Por Marco Aurelio Carone
Embora o governador Romeu Zema afirme categoricamente que suas empresas jamais celebraram qualquer negócio com entidades ligadas ao Governo de Minas Gerais, tal fato não corresponde à verdade.
Um dos exemplos é o da Fundação BDMG de Seguridade Social – Desban, que em seu demonstrativo de investimento do primeiro semestre de 2018, apresentou uma aplicação de R$ 10 milhões no Zema I Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – época que Romeu Zema era dirigente da empresa – investimento que permaneceu em seus demonstrativos financeiros até maio de 2020, quando Romeu Zema já era governador.

O Fundo foi criado em 2011 e a início teve seu funcionamento indeferido pela CVM, conforme parecer da GIESIN/CVM, só entrando em atividade em 2015, para absolver o passivo dos créditos não recebidos das vendas efetuadas pela Eletrozema.



Segundo fontes da Fundação BDMG de Seguridade Social – Desban, tal aquisição foi um socorro solicitado por integrantes do grupo político do ex-governador Fernando Pimentel (PT) – a quem Zema vem fazendo pesadas críticas – pois a empresa passava por dificuldades.
A prática da utilização de fundos de pensão dos funcionários, para socorrer empresas foram amplamente utilizadas na Caixa, Banco do Brasil, Correios, Petrobras e outros, dando origem a diversas investigações devido aos prejuízos causados, pelos denominados papéis podres.
Fato apurado pela CPI dos Fundos de Pensão, instalada em 2010 na Câmara dos Deputados, que em relação ao POSTALIS do Correios, analisou a operação de compra de cotas do Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Trendbank Banco de Fomento – Multisetorial (FIDC Trendbank). Em seu Relatório Final pág.331 consta, “é preciso considerar que o valor das cotas que, teoricamente, seria recuperado integralmente ao final de 10 anos, sofreu violenta depreciação. As cotas adquiridas pelo Postalis em março de 2010 por R$ 50 milhões, em junho de 2015 valiam apenas R$1.692.400,00, em um prejuízo de impressionantes R$ 48,3 milhões”.


Em 2020, o Zema I Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, foi baixado junto à Receita Federal em função do artigo 5º de seu regimento, que fixou o prazo de cinco anos de funcionamento.

Como o mesmo não era assegurado pelo Fundo Garantidor de Crédito, o valor de suas cotas foram desvalorizando e os R$10,5 milhões investidos pela Fundação BDMG de Seguridade Social – Desbanem 2018, acabaram dois anos depois, em maio de 2020, transformando-se em R$ 836.760,05 ou seja 8,6% do valor do investido. Com o regate em função do seu encerramento deixou um prejuízo de R$9.1 milhões.







O BDMG, patrocinador – investidor do Desban tem como membro no Conselho Deliberativo desde sua fundação, Juliana Assis Ferreira, que no governo Zema exerce a função de Gerente de Setor Público do banco.


O Novojornal tentou ouvir o governador Romeu Zema, através da sua assessoria de imprensa que informou tratar-se de questão empresarial, desta forma deveríamos procurar a empresa. Em busca de informação junto à empresa, fomos informados apenas que o fundo foi baixado devido cláusula existente em sua constituição. Recorremos à assessoria de imprensa do candidato Romeu Zema, que informou tratar apenas de questões relacionadas à campanha. Entramos em contato com a assessoria de imprensa do BDMG, que até o fechamento desta matéria não deu retorno. Caso chegue alguma resposta atualizaremos.

