A proposta aprovada no fim de fevereiro pelo Comitê Judiciário da Câmara dos Estados Unidos, que pode restringir a entrada de Alexandre de Moraes no país, ainda encontra recepção fria entre integrantes do governo norte-americano. O projeto de lei, antes de se tornar efetivo, precisa passar pelo plenário da Câmara e também pelo Senado, o que impõe novos obstáculos ao seu avanço.

Em conversas reservadas com autoridades brasileiras, representantes ligados ao governo de Donald Trump minimizam o impacto da medida, afirmando que ela não figura entre as prioridades nem do Executivo nem do Congresso. Ressaltam ainda que a proposta contou com amplo apoio de parlamentares democratas, adversários políticos de Trump, e que enxergam a medida como instrumento de contenção a líderes considerados autoritários em diferentes partes do mundo.

Segundo essa leitura, Alexandre de Moraes não seria o foco direto do projeto, apesar de seu nome estar no centro do debate promovido por parlamentares bolsonaristas. Embora o texto não mencione o ministro do Supremo Tribunal Federal, o deputado republicano Darrell Issa, um de seus autores, declarou publicamente que a proposta surgiu como reação às decisões da Corte brasileira.

Na ocasião em que defendeu o projeto, Issa citou o episódio em que Elon Musk teria resistido às exigências do Brasil, levando à desativação temporária do X (antigo Twitter) no país. O parlamentar ressaltou, no entanto, que o projeto vai além do caso brasileiro e leva em conta também ações de governos da União Europeia, Reino Unido e Austrália.

Após a aprovação do texto na comissão da Câmara, o Departamento de Estado dos EUA, por meio do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, afirmou nas redes sociais que “o respeito à soberania é uma via de mão dupla”, mencionando explicitamente o Brasil. Em resposta, o Itamaraty rejeitou qualquer tentativa de politização do Judiciário e reforçou a importância da separação dos poderes.

Membros ligados ao entorno de Trump consideraram a manifestação brasileira exagerada e alertaram que o governo norte-americano reagirá a qualquer medida que interprete como ameaça à liberdade de expressão.

Foto: Wikipedia


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