Por Marco Aurélio Carone.

Enfrentando uma grave crise, o PSDB iniciou negociações para uma possível fusão com o PSD, presidido por Gilberto Kassab. A crise tucana ficou evidente após as eleições de 2022, quando o partido não conseguiu eleger vereadores em grandes colégios eleitorais como São Paulo e Belo Horizonte e perdeu figuras importantes, como Geraldo Alckmin e Aloysio Nunes. Além disso, o PSDB enfrenta dificuldades para superar a cláusula de barreira, que exige um número mínimo de votos para deputados federais, fundamental para garantir acesso ao fundo partidário e tempo de TV. Assim, a fusão com o PSD parece ser uma alternativa concreta para a sobrevivência tucana.

Por outro lado, o PSD avalia cuidadosamente a possibilidade de fusão. Gilberto Kassab já sinalizou interesse na aproximação, destacando o valor dos quadros tucanos, mas ressalta que o movimento precisa ser bem planejado. Existe uma preocupação no PSD com a imagem de Aécio Neves, deputado federal pelo PSDB, que carrega o estigma de corrupção. A presença de Aécio na fusão é vista como um grande risco, já que sua reputação pode transformar o movimento em um “abraço de afogado”, prejudicando ambos os partidos em vez de os fortalecer.

Outro ponto importante nas negociações é o papel de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul e principal nome do PSDB para disputar a sucessão de Lula em 2026. Leite já foi sondado por Kassab para se filiar ao PSD em 2022, mas optou por permanecer no PSDB. Caso a fusão ocorra, Leite poderia se tornar o candidato de consenso entre as duas siglas. Apesar disso, o PSD também tem outros nomes fortes, como Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, e Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. Embora Tarcísio afirme que buscará a reeleição no estado, sua candidatura ao Planalto é amplamente cogitada pela direita, especialmente após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro.

Apesar do interesse mútuo entre PSD e PSDB, a fusão ainda enfrenta obstáculos significativos. O histórico de atritos internos no PSDB e as divergências em torno da figura de Aécio Neves são questões centrais que Kassab e sua equipe precisam avaliar com cuidado. Além disso, a cúpula tucana terá de alinhar a fusão com sua atual federação com o Cidadania, o que pode dificultar ainda mais o processo.

O PSDB, que já foi um dos partidos mais influentes do país, enfrenta agora uma luta pela sobrevivência política. Sua aposta em uma fusão ou aliança estratégica com o PSD é vista como um último recurso para tentar recuperar relevância e se preparar para as eleições de 2026. Contudo, o futuro da sigla dependerá não apenas das negociações com Kassab, mas também de sua capacidade de superar crises internas e redefinir sua identidade política.

Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados