Militantes e lideranças do Partido dos Trabalhadores participaram nesta segunda-feira (8), em Brasília, do 4º Encontro Nacional do Núcleo Evangélico do PT. Durante o evento, foi divulgada uma carta aberta voltada à comunidade evangélica, especialmente aos segmentos pentecostais e neopentecostais, com mensagens relacionadas à democracia, à justiça social e às eleições presidenciais de 2026.
O documento apresenta reflexões sobre temas sociais, políticas públicas e valores cristãos. Entre os assuntos abordados estão a defesa da democracia, o combate à violência contra a mulher, a promoção da solidariedade e a proteção de grupos considerados vulneráveis. A carta também destaca ações desenvolvidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e busca ampliar o diálogo do partido com o eleitorado evangélico.
Um dos principais trechos do texto critica o uso político da religião. Os organizadores afirmam rejeitar tentativas de transformar a fé em instrumento de manipulação política e condenam práticas que associam a religião a interesses econômicos ou eleitorais. O documento também manifesta preocupação com a disseminação de notícias falsas e discursos de ódio no ambiente político e nas redes sociais.
A carta ressalta ainda que os evangélicos não constituem um grupo político homogêneo e afirma que o núcleo do partido não pretende falar em nome de todas as denominações religiosas. Ao mesmo tempo, associa princípios cristãos a pautas como justiça social, reforma agrária e defesa dos mais pobres, argumentando que esses temas fazem parte da tradição evangélica.
O encontro recebeu o nome de “Mishpat: Fé, Justiça, Democracia e as Eleições 2026”. A palavra “Mishpat”, de origem hebraica, pode ser traduzida como justiça. O evento reuniu lideranças religiosas, militantes e dirigentes partidários para discutir estratégias de aproximação com o segmento evangélico, considerado um dos mais importantes do eleitorado brasileiro.
Durante a programação, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendeu o legado dos governos petistas na relação com as igrejas evangélicas. Segundo ele, Lula foi o presidente que mais promoveu reconhecimento institucional à comunidade evangélica ao longo das últimas décadas.
A primeira-dama Janja da Silva também participou do encontro. Em seu discurso, ela criticou declarações feitas pelo pastor Silas Malafaia em redes sociais. Janja respondeu diretamente a comentários do líder religioso e afirmou que valoriza todas as mulheres, independentemente de posição social ou política.
A iniciativa ocorre em um momento em que o PT busca ampliar sua presença entre os eleitores evangélicos. Historicamente, pesquisas eleitorais apontam maior identificação desse segmento com candidaturas apoiadas pelo campo conservador. Diante desse cenário, o partido tenta fortalecer pontes com lideranças religiosas e ampliar o diálogo com um público considerado estratégico para a disputa presidencial do próximo ano.
Foto: Divulgação/PT

