Daniel Vorcaro voltou a demonstrar insatisfação com os rumos das investigações relacionadas ao caso Master e com decisões recentes tomadas no Supremo Tribunal Federal. Segundo pessoas próximas ao empresário, a possibilidade de uma nova rejeição de sua proposta de colaboração premiada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República ampliou o clima de desânimo e revolta nos últimos dias.

O episódio que mais teria provocado indignação ocorreu após a decisão do ministro André Mendonça de revogar as medidas cautelares impostas a Raimundo Nogueira, irmão do senador Ciro Nogueira. Investigado na quinta fase da Operação Compliance Zero, Raimundo utilizava tornozeleira eletrônica desde maio, além de estar com o passaporte retido e proibido de manter contato com outros investigados.

Ao suspender as restrições, Mendonça concluiu que não existiam elementos suficientes para demonstrar risco de fuga ou tentativa de interferência nas apurações. A decisão repercutiu entre os investigados do caso e foi recebida com forte descontentamento por Vorcaro, que considera haver diferenças de tratamento entre pessoas envolvidas na mesma investigação.

De acordo com aliados, o empresário compara a situação de Raimundo Nogueira à de seu primo Felipe Vorcaro, que continua preso preventivamente. Conforme a investigação da Polícia Federal, Felipe teria atuado na operacionalização de pagamentos destinados à empresa ligada à família Nogueira. Os investigadores também sustentam que ele escapou de uma ação policial durante a segunda fase da operação, ao deixar um condomínio em Trancoso pouco antes da chegada dos agentes.

Embora reconheça que esse episódio tenha contribuído para a manutenção da prisão preventiva do primo, Daniel Vorcaro afirma não compreender por que outros investigados receberam tratamento mais brando. Segundo interlocutores, ele tem manifestado a avaliação de que integrantes de sua família estariam sendo submetidos a medidas mais severas.

Além do próprio empresário, familiares próximos também foram alcançados pelas investigações. Entre eles estão o pai, Henrique Moura Vorcaro, o primo Felipe Vorcaro e o cunhado Fabiano Zettel. As medidas determinadas ao longo das diferentes etapas da Operação Compliance Zero atingiram diversos integrantes do grupo familiar.

A insatisfação também está relacionada ao andamento das negociações para um acordo de colaboração premiada. Fontes ligadas ao caso afirmam que a segunda proposta apresentada pela defesa continua enfrentando resistência da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Os órgãos de investigação consideram que os termos oferecidos até o momento não atendem aos requisitos exigidos para a celebração de um acordo.

Caso não haja mudança de entendimento, a tendência é que a proposta seja novamente rejeitada. Com isso, Vorcaro permaneceria submetido à prisão preventiva sem acesso aos benefícios normalmente previstos em colaborações premiadas homologadas pela Justiça.

O cenário aumenta a pressão sobre o empresário, que vê diminuir as possibilidades de obter avanços por meio das negociações com os investigadores. Enquanto aguarda uma definição sobre sua situação jurídica, Vorcaro continua acompanhando os desdobramentos do caso e

demonstrando insatisfação com decisões que, em sua avaliação, revelariam critérios diferentes para investigados envolvidos na mesma apuração.

Foto: Luiz Silveira/STF


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