O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), apresentou nesta sexta-feira um pedido formal à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que sejam tomadas providências contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A solicitação tem como base um telefonema feito por Bolsonaro ao senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente, às vésperas do depoimento do parlamentar ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Mourão relatou ao site “Metrópoles”, a conversa com Bolsonaro foi de “cunho genérico”, mas incluiu um pedido para que o senador reforçasse à Corte que nunca teve conhecimento de qualquer plano relacionado a um golpe de Estado. Mourão depôs como testemunha de defesa de Bolsonaro na ação penal que apura a trama golpista de 8 de janeiro.

Na representação enviada à PGR, Lindbergh Farias argumenta que o telefonema configura, em tese, obstrução à Justiça, por representar tentativa de interferência na apuração de crime. Segundo ele, houve “tentativa de ingerência direta na produção probatória, comprometendo a independência do testemunho e violando o dever de não interferência previsto na legislação penal”.

O petista pede a abertura de investigação criminal contra Bolsonaro, além da imposição de medidas cautelares, como a proibição de manter qualquer contato, direto ou indireto, com testemunhas. Também solicita o acesso a registros de chamadas, metadados e possíveis mensagens trocadas entre Bolsonaro e Mourão, além de uma nova oitiva do senador para esclarecer o episódio.

Foto: Tércio Teixeira


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