Por Pedro Augusto Pinho (administrador aposentado)
O Brasil, como várias colônias do império estadunidense, passou, na última década do século XX, para colônia de um sistema, não mais de um país. É o sistema financeiro internacional que, comprando, corrompendo e amestrando políticos, lideranças empresariais, trabalhistas e militares, assumiu o poder.
No tempo da colônia de países era mantida a administração local das colônias pelas elites locais aliadas. Havia diversas vantagens, além da redução de custo de manutenção da repressão interna, como o voto garantido em organizações internacionais e a propagação da pedagogia colonial.
O sistema financeiro quer o mundo globalmente homogeneizado, sem fronteiras de qualquer natureza, para que o capital possa circular livremente, sem encargos nem custos nacionais.
Três ingredientes compõem a receita para extinguir um país.
Primeiro crie e divulgue a mentira que impeça o país crescer e, até mesmo, de atender as demandas corriqueiras de seus habitantes, tais como, emprego, saúde e educação. Diga que o mais importante para a administração do país é o equilíbrio fiscal, mas deixe o sistema financeiro simulando emitir títulos de dívida que recolham em juros metade dos orçamentos federal, estaduais e dos maiores municípios. Se tiver muita falta de vergonha pode colocar na constituição um teto para os gastos públicos, evitando com isso conceder aumentos de salários, fazer manutenção de bens públicos, principalmente hospitais, e melhorar o transporte urbano.
Segundo ingrediente. Avaliar depreciativamente tudo que constituiu conquista do povo, ou decisão de governante desenvolvimentista e trabalhista e que trouxe benefício para o país. Como exemplo tem-se a energia nuclear e a Central de Medicamentos (CEME), obras da ditadura militar, a legislação trabalhista e o imposto sindical, da “ditadura” de Getúlio Vargas, ou a construção de Brasília que não ouviu o povo e hipotecou a Nação.
Por fim importe tudo, de igrejas e pastores, a soluções de problemas e ideologias, em especial as inaplicáveis no país pelas características culturais e econômicas. Por exemplo, se você produz petróleo e derivados, nada de colocá-los a venda pelo preço de produção nas refinarias. Estabeleça um preço paritário ao de países ricos, paridade internacional (!), cujo salário mínimo seja de dez vezes o nacional. Com este PPI você estará impedindo a família de usar gás de cozinha, o motorista de taxi poder viver de seu trabalho, e todos os produtos ficarem caríssimos pelo diesel usado nos caminhões transportadores.
Dificilmente um país conseguirá resistir a tal ataque sem naufragar. Você terá destruído o País.

