O setor de serviços voltou a apresentar crescimento e avançou 0,3% em outubro na comparação com setembro, alcançando o nono mês consecutivo de resultado positivo. O desempenho reforça a trajetória de recuperação e expansão das atividades que englobam segmentos como transporte, turismo, alimentação fora do domicílio, serviços pessoais e tecnologia da informação, segundo dados oficiais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
A sequência de altas iniciada em fevereiro representa um avanço acumulado de 3,7% ao longo do período. Com isso, o setor atingiu o maior nível de atividade já registrado na série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços, iniciada em janeiro de 2011. Além disso, o volume de serviços encontra-se 20,1% acima do patamar observado antes da pandemia de covid-19, em fevereiro de 2020, evidenciando a consolidação da retomada.
Na comparação com outubro do ano anterior, o setor apresentou crescimento de 2,2%. Já no acumulado de 12 meses, a expansão chegou a 2,8%, resultado ligeiramente inferior ao registrado no período encerrado em setembro, quando a taxa era de 3,1%. Ainda assim, o desempenho mantém o setor em terreno positivo e com contribuição relevante para a atividade econômica.
Com nove meses seguidos de crescimento, o ano superou a sequência observada entre fevereiro e setembro de 2022, quando houve oito altas consecutivas. Naquele intervalo, no entanto, o avanço acumulado foi maior, atingindo 5,6%. Mesmo com ritmo mais moderado, a continuidade das altas em 2025 indica maior estabilidade do setor.
O comportamento mensal ao longo do ano mostra variações positivas na maior parte dos meses, com exceção de janeiro. Após a queda inicial, os meses seguintes registraram avanços graduais, culminando em uma elevação mais expressiva em setembro, antes do novo crescimento observado em outubro.
Todos os cinco grandes grupos de atividades pesquisados pelo IBGE apresentaram resultado positivo na passagem de setembro para outubro. Os serviços prestados às famílias cresceram 0,1%, enquanto informação e comunicação avançaram 0,3%. Os serviços profissionais e administrativos também tiveram alta de 0,1%. O destaque ficou com o segmento de transportes, armazenagem e correio, que cresceu 1%, seguido por outros serviços, com avanço de 0,5%.
O gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, apontou que o setor de transportes foi o principal responsável pelo resultado. “O transporte aéreo tem crescido por conta do maior número de passageiros transportados, o que se reflete em maiores receitas para as companhias aéreas”, explicou. Segundo ele, o transporte rodoviário de cargas também teve papel relevante. “O aumento das receitas ocorre, em grande medida, por causa dos fretes ligados ao escoamento da produção agrícola, impulsionada por uma safra recorde, além das entregas do comércio eletrônico”, completou.
O segmento de transportes e armazenagem possui peso de 36,4% no total dos serviços do país, o que amplia seu impacto sobre o resultado geral. O segundo maior impulso veio do setor de informação e comunicação, especialmente das atividades de tecnologia da informação. Lobo destacou que a demanda por serviços digitais segue elevada. “As empresas continuam investindo em digitalização e soluções tecnológicas, movimento intensificado após a pandemia”, afirmou.
A pesquisa também revelou crescimento do Índice de Atividades Turísticas, que avançou 0,8% em outubro na comparação mensal. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 6%, embora inferior ao resultado anterior. Com isso, o turismo está 12,7% acima do nível pré-pandemia e apenas 1% abaixo do maior patamar já alcançado.
O índice reúne atividades como hotelaria, agências de viagens e transporte aéreo de passageiros e contempla dados de 17 unidades da federação. A Pesquisa Mensal de Serviços integra o conjunto de indicadores conjunturais do IBGE, que também apontaram crescimento da indústria e do comércio no mesmo período, reforçando um cenário de expansão moderada da economia.
Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

