A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu tornar o pastor Silas Malafaia réu pelo crime de injúria por declarações contra o comandante do Exército, general Tomás Paiva, e outros integrantes da corporação.

A decisão foi tomada nesta terça-feira em julgamento marcado por empate de 2 votos a 2. Diante da divisão, prevaleceu entendimento mais favorável ao acusado, e Malafaia responderá apenas por injúria, ficando afastada a acusação de calúnia.

Os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino votaram para receber a denúncia pelos 2 crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República.

Já Cristiano Zanin e Cármen Lúcia entenderam que o caso se enquadra apenas em injúria.

Com o empate, foi aplicado o princípio de favorecer o réu em caso de dúvida, restringindo o alcance da denúncia.

O caso envolve declarações feitas por Malafaia durante manifestação em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em São Paulo, em abril do ano passado.

Na ocasião, o pastor chamou generais de “frouxos, covardes e omissos” e afirmou que militares não honram a farda que vestem, falas que motivaram a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República.

Durante o processo, a defesa sustentou que as declarações foram críticas genéricas, sem menção nominal a Tomás Paiva, e alegou que o pastor usou linguagem política em contexto de manifestação pública.

Os advogados também afirmaram que houve retratação posterior e questionaram a competência do STF para julgar o caso, argumentando que Malafaia não possui foro privilegiado.

Com a decisão, o pastor passa à condição de réu e responderá a ação penal exclusivamente pelo crime de injúria. O julgamento do mérito ainda ocorrerá em etapa posterior.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom


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