O Superior Tribunal de Justiça solicitou que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre um pedido de abertura de investigação contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, no contexto das apurações relacionadas ao caso Banco Master. A solicitação foi encaminhada à vice-procuradoria-geral da República e está sob a relatoria da ministra Isabel Gallotti.

O pedido foi apresentado por partidos de oposição ao governador, entre eles PT, Rede, PDT, PCdoB e PV. As legendas defendem não apenas a abertura de inquérito para apurar a conduta do chefe do Executivo distrital, mas também o seu afastamento temporário do cargo. Segundo os partidos, a medida seria necessária para “evitar qualquer risco” de interferência nas investigações em andamento.

A representação menciona declarações prestadas pelo controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, em depoimento à Polícia Federal no fim do ano passado. Na ocasião, o banqueiro afirmou que manteve conversas com Ibaneis Rocha durante o período em que se discutia a venda da instituição financeira ao Banco de Brasília, entidade controlada pelo governo do Distrito Federal.

“Já foi à minha casa, se não me engano, uma vez. Eu já fui à casa dele, e a gente se encontrou poucas vezes. Conversas institucionais”, disse Vorcaro em seu depoimento aos investigadores. O empresário, no entanto, não detalhou o conteúdo desses encontros nem explicou de que forma eles teriam influenciado o processo de negociação.

Em relatos feitos de forma reservada, o dono do Banco Master teria afirmado que, durante as tratativas, o governador comentou ter buscado informações sobre seu histórico com um aliado político e recebido “ótimas referências”. Esses relatos passaram a integrar o conjunto de elementos citados pelos partidos que pedem a investigação.

Após o anúncio da operação envolvendo o Banco de Brasília e o Banco Master, o governador do Distrito Federal celebrou publicamente o negócio, classificando o momento como um “dia de festa”. Em decisão posterior, a Justiça Federal de Brasília avaliou que a operação teria ocorrido por “pura camaradagem”, expressão que também passou a ser explorada politicamente por adversários do governo local.

Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social do governo do Distrito Federal afirmou que a iniciativa dos partidos configura “um movimento político”. Segundo o órgão, o procedimento adotado pelo STJ segue o rito normal. “O processo é autuado, distribuído a um relator e encaminhado ao Ministério Público, que decide como proceder”, informou a secretaria.

O episódio também gerou desconforto interno no governo distrital. Conforme noticiado, a vice-governadora Celina Leão afirmou não ter sido consultada previamente sobre a operação envolvendo o banco, o que teria ampliado as tensões políticas no Palácio do Buriti.

No mês passado, a Procuradoria-Geral da República também foi acionada por um deputado distrital, que solicitou a abertura de investigação contra Ibaneis Rocha e o bloqueio de bens do governador. O parlamentar alegou a necessidade de resguardar eventual ressarcimento ao erário diante das suspeitas levantadas no caso Banco Master.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


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