O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que vinha evitando se pronunciar desde o início do julgamento, manifestou apoio público ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta quarta-feira (27), após a decisão unânime do Supremo Tribunal Federal (STF) de torná-lo réu por suposta tentativa de golpe de Estado. Em publicação nas redes sociais, Tarcísio afirmou confiar que a inocência de Bolsonaro será comprovada.
“Jair Bolsonaro é a principal liderança política do Brasil, e assim seguirá. Sabemos que esse não é o primeiro e não será o último desafio a ser enfrentado, mas sabemos também que a verdade prevalecerá e sua inocência será comprovada. Estou certo de que Bolsonaro conduzirá esse processo com a coragem que sempre motivou todos ao seu redor. Siga contando comigo e com os milhões de brasileiros que estão ao seu lado”, escreveu o governador paulista.
Tarcísio havia se mantido em silêncio desde que participou de um podcast ao lado de Bolsonaro na segunda-feira (25). Na terça-feira, durante evento no Memorial da América Latina, evitou a imprensa e não comentou o julgamento. Nesta quarta, sua agenda constava apenas como “despachos internos” no Palácio dos Bandeirantes — algo raro para dias úteis no meio da semana.
Outros nomes da direita cotados para a corrida presidencial de 2026 adotaram posturas mais discretas. Governadores como Ratinho Júnior (PSD-PR), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) optaram por não se manifestar diretamente nas redes sociais. Preferiram divulgar agendas e lamentar a morte do prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD).
Durante evento em Pernambuco, Ratinho criticou o fato de o julgamento de Bolsonaro ter ocorrido na Primeira Turma do STF, e não no plenário. “Acho que, por se tratar de um ex-presidente, o julgamento não poderia ser feito por uma turma, mas pelo plenário”, afirmou. Ele deve receber Bolsonaro em Curitiba, no próximo dia 4 de abril, para um almoço em apoio à possível candidatura do deputado Filipe Barros (PL) ao Senado. Em recente evento, Ratinho elogiou Bolsonaro, dizendo que ele exerce uma “liderança incontestável”.
Caiado, por sua vez, participou de um evento sobre segurança pública organizado pelo Progressistas, sigla com a qual o União Brasil negocia uma federação. Embora não tenha feito declarações públicas diretas sobre o julgamento, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presente no mesmo evento, classificou Bolsonaro como vítima de “uma vereda histórica”. Em entrevista, defendeu o direito à ampla defesa: “Que lhe seja garantido todo o trâmite legal, com direito à apresentação de testemunhas e ampla defesa”.
Zema, que vem adotando um discurso mais duro nas redes, também não comentou o caso Bolsonaro. Em vídeo recente, no entanto, questionou a pena de 14 anos de prisão sugerida pelo ministro Alexandre de Moraes à ré que pichou a frase “Perdeu, mané” na estátua da Justiça, durante os ataques de 8 de janeiro. O julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Luiz Fux.
Entre os nomes cogitados para a sucessão estadual em São Paulo, também houve cautela. O prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), esteve em Brasília nesta quarta para encontros com os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Celso Sabino (Turismo), mas limitou suas redes sociais à divulgação de agendas anteriores e condolências pela morte de Fuad Noman. Na véspera, em declaração genérica, pediu “responsabilidade” aos ministros do STF: “A Justiça deve vendar os olhos não para não enxergar, mas para decidir com imparcialidade, sem perseguições nem penas desproporcionais”.
Outros aliados de Bolsonaro em São Paulo, como o secretário estadual de Governo, Gilberto Kassab (PSD), e o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL), também não se pronunciaram publicamente. O secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PL), participou dos dois dias do fórum do Progressistas, mas também evitou comentar o julgamento.
Já o empresário Pablo Marçal (PRTB), que tem demonstrado interesse em futuras disputas majoritárias, ignorou uma provocação feita por Carlos Bolsonaro nas redes sociais e seguiu com sua programação, promovendo palestras em Alphaville e anunciando um “churrasco de negócios” em seus perfis.
A cautela geral entre aliados e pré-candidatos da direita expõe os dilemas em torno da figura de Bolsonaro. Embora ele mantenha forte influência eleitoral, o peso jurídico do processo em curso no STF gera desconforto e incerteza. A manifestação de Tarcísio, nesse cenário, rompeu o silêncio e reafirmou a fidelidade política ao ex-presidente, reforçando sua posição no núcleo duro do bolsonarismo.
Com o julgamento na Primeira Turma já concluído e a ação penal em andamento, a expectativa agora recai sobre os desdobramentos jurídicos e políticos do caso, que promete marcar o cenário eleitoral até 2026.
Foto: Celso Silva / Governo do Estado de SP

