As vendas de títulos públicos a pessoas físicas por meio do Tesouro Direto atingiram R$ 8,25 bilhões em fevereiro, o maior volume já registrado para o mês desde a criação do programa, em 2002. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, dia 24, pelo Tesouro Nacional.

O resultado representa crescimento de 43,2% em relação a fevereiro do ano passado, quando as vendas somaram R$ 5,76 bilhões. Apesar do avanço, o volume ficou 31,4% abaixo do registrado em janeiro, quando houve recorde histórico impulsionado pela troca de títulos prefixados que venceram por novos papéis.

Os títulos mais procurados pelos investidores foram os atrelados à taxa básica de juros, que responderam por 49% das vendas. Em seguida aparecem os papéis corrigidos pela inflação, com participação de 29,8%, e os títulos prefixados, que somaram 13% do total negociado.

Entre os produtos mais recentes, o Tesouro Renda+, voltado ao planejamento de aposentadoria, representou 6,4% das vendas. Já o Tesouro Educa+, destinado ao financiamento do ensino superior, respondeu por 1,9% do total.

O interesse pelos títulos vinculados à taxa Selic está relacionado ao atual nível dos juros, que passou de 10,5% ao ano até setembro de 2024 para 14,75% ao ano. Esse cenário mantém a atratividade dos papéis, ao mesmo tempo em que os títulos atrelados à inflação ganham espaço diante da expectativa de alta nos preços.

O estoque total do Tesouro Direto chegou a R$ 226,93 bilhões no fim de fevereiro, alta de 3,03% em relação ao mês anterior e de 38,36% na comparação com o mesmo período do ano passado. O crescimento reflete tanto a correção dos títulos quanto o fato de as vendas terem superado os resgates em R$ 4,65 bilhões no mês.

O número de investidores também avançou. Em fevereiro, 222.220 novos participantes ingressaram no programa, elevando o total para 34.809.947. O número de investidores ativos, com aplicações em aberto, chegou a 3.457.211, com crescimento de 14,23% em 12 meses.

As operações de menor valor continuam predominando. As aplicações de até R$ 5 mil representaram 75,3% das 805.676 operações realizadas no mês. Já os investimentos de até R$ 1 mil corresponderam a 51,7% do total. O valor médio por operação foi de R$ 10.242,74.

Os investidores demonstraram preferência por títulos de curto e médio prazo. Papéis com vencimento de até cinco anos concentraram 52,6% das vendas, enquanto aqueles entre cinco e dez anos somaram 28,5%. Já os títulos com prazo superior a dez anos representaram 18,9% das operações.

Criado em 2002, o Tesouro Direto permite que pessoas físicas invistam diretamente em títulos públicos pela internet, sem necessidade de intermediação de instituições financeiras. Em contrapartida, o governo utiliza os recursos captados para financiar suas atividades e honrar compromissos, oferecendo remuneração baseada em juros, inflação ou taxas prefixadas.

Foto: José Cruz/Agência Brasil


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