Três empresas venceram, nesta quarta-feira (21), o leilão de concessão para manejo florestal sustentável da Floresta Nacional do Jatuarana, localizada no sul do Amazonas. Essa foi a primeira concessão florestal da região Norte estruturada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O certame foi realizado na sede da B3, a bolsa de valores brasileira, em São Paulo.
A concessão contempla quatro Unidades de Manejo Florestal (UMFs), que juntas somam 453 mil hectares — o equivalente a 80% da área da Flona do Jatuarana, que tem um total de 570 mil hectares. Os contratos firmados terão validade de 37 anos e têm potencial de arrecadação anual de até R$ 32,6 milhões. O objetivo é promover o uso sustentável da floresta, aliando conservação ambiental, geração de renda e desenvolvimento regional.
A UMF I, com 176 mil hectares, foi arrematada pela empresa OC Prime Comércio e Industrialização de Madeiras, com oferta de R$ 244,98 por metro cúbico de madeira e outorga fixa de R$ 4 milhões. A UMF II, de 194,5 mil hectares, foi vencida pela E. Eduardo da Silva Ltda, com lance de R$ 193,65 e outorga de R$ 5 milhões. A Brasil Tropical Pisos Ltda arrematou as UMFs III e IV — com áreas de 39,2 mil e 43,5 mil hectares — com lances de R$ 150,48 e R$ 152,86, respectivamente, e outorgas fixas de R$ 2,2 milhões cada.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou a importância do modelo de concessão florestal como alternativa para o desenvolvimento econômico sustentável. “Essa política pública mostra que é possível gerar prosperidade com justiça climática e social, valorizando a floresta em pé e protegendo a sociobiodiversidade”, afirmou.
O manejo sustentável permite explorar produtos madeireiros e não madeireiros, como madeira em tora, palmito, açaí, castanha-do-pará, óleo de copaíba e andiroba, respeitando os ciclos naturais da floresta e seus processos de regeneração. Além disso, favorece a permanência da cobertura vegetal e contribui para a manutenção dos serviços ambientais, como o ciclo da água e a captura de carbono.
Para o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Garo Batmanian, a concessão representa um marco na gestão das florestas públicas. “Estamos aprimorando os critérios socioambientais e garantindo que os benefícios cheguem às comunidades locais. O modelo foi desenhado para trazer desenvolvimento com responsabilidade ambiental”, afirmou.
Atualmente, o Brasil tem cerca de 1,3 milhão de hectares de florestas públicas federais concedidas para manejo sustentável, distribuídos em 23 unidades em nove florestas nacionais nos estados do Amazonas, Rondônia, Pará, Amapá e Paraná. Com os novos contratos, a área total sob concessão crescerá 35%. A meta do governo federal é alcançar cinco milhões de hectares concedidos até 2027, conforme previsto no Plano Plurianual (PPA).
Nelson Barbosa, diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, destacou os impactos positivos do manejo. “As florestas são preservadas, enquanto promovem renda, emprego e a formalização da economia regional. Essa atividade mantém a biodiversidade e os serviços ambientais essenciais para o equilíbrio climático do planeta”, afirmou.
O leilão da Flona do Jatuarana faz parte de uma estratégia mais ampla. Além desta floresta, o BNDES estruturará a concessão de outras quatro unidades — Pau Rosa, Iquiri, Balata-Tufari e Gleba Castanho. Em outro contrato com o SFB, o banco também prepara a estruturação de mais 12 florestas, ampliando o alcance do modelo de concessão sustentável como política de preservação e geração de oportunidades na Amazônia.
Foto: MMA / Divulgação

