Um estado de exaustão emocional e físico que afeta os pais devido à sobrecarga de responsabilidades relacionadas à educação e cuidado dos filhos. Essa é a definição de burnout parental, condição psicológica com sintomas emocionais e físicos.

Como a incidência desse problema nunca foi mensurada no Brasil, a pesquisadora Ana Letícia Senobio dos Santos desenvolveu um questionário para investigar os fatores de risco para a incidência da síndrome no país.

A aplicação do formulário integra a pesquisa de mestrado desenvolvida pela pesquisadora no Programa de Pós-graduação em Psicologia: cognição e comportamento da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da UFMG. O levantamento busca identificar as condições que podem desencadear o burnout parental, visando à elaboração de propostas de políticas públicas, especialmente para pais de crianças com condições clínicas como o autismo.

Quando descobrimos os fatores de risco, conseguimos saber onde intervir e como ajudar esses pais na clínica psicológica. Além disso, mapear esses pais nos ajudará a implementar novas posturas clínicas e políticas públicas que os atendam”, diz Ana Senobio.

Já sabemos que o perfeccionismo é um dos fatores de risco associados ao burnout parental. Muitas vezes, os pais sentem a necessidade de ser perfeitos e de corresponderem àquilo que a sociedade espera deles. Outro fator que pode interferir é a idade dos filhos. Investigar esses padrões nos dará ferramentas para lidar com o problema”, avalia a mestranda.

O estudo desenvolvido por Ana Letícia faz parte de pesquisa mais ampla que investiga o perfeccionismo em diversos grupos, desenvolvida pelo Laboratório de Avaliação e Intervenção na Saúde (Lavis) do Departamento de Psicologia da UFMG. O questionário está disponível na internet e pode ser respondido, até o fim de junho, por qualquer pai ou mãe brasileiros. Ele contempla dados sociodemográficos, de saúde mental e oferece aos participantes, ao final do preenchimento, o nível de escala de burnout parental em que eles se encontram, quando é o caso.

Ana Letícia afirma que o burnout parental precisa ser investigado e tratado porque gera diversos sintomas emocionais e físicos que prejudicam a vida dos pais. Entre eles, a pesquisadora cita a sensação de extrema exaustão, aliada a uma fadiga da rotina diária, a percepção de forte contraste com relação a uma parentalidade idealizada, a dificuldade de identificação e prazer ao desempenhar as tarefas próprias dos pais e o distanciamento emocional dos filhos.

Além disso, o problema pode levar os pais a desenvolver problemas de saúde como dificuldade para dormir e para se acalmar, além de sintomas de depressão ou ansiedade e conflitos no casamento. “Estamos investigando o tema, mas é essencial que os pais procurem ajuda se acharem que estão sofrendo de burnout parental, uma vez que essa condição piora a qualidade de vida”, recomenda Ana Letícia.


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