Consideradas estratégicas no controle da disseminação do novo coronavírus, as máscaras faciais podem ter um outro efeito entre os usuários que demanda atenção.

Nesse caso, porém, tratam-se de consequências danosas. Esses equipamentos de proteção individual são também potencializadores dos efeitos do cigarro no corpo humano, alertam pesquisadores europeus em um artigo divulgado na última edição do European Journal of Preventive Cardiology.

Depois de avaliar dados médicos de 160 voluntários, os cientistas concluíram que o uso da máscara cirúrgica aumenta em duas vezes a quantidade de monóxido de carbono exalado e compromete as funções dos vasos sanguíneos, considerando períodos sem a máscara.

A hipótese levantada pelo grupo é de que, pelo menos em parte, ficar durante muito tempo com o equipamento de proteção individual leva a uma maior reinalação de monóxido de carbono e/ou vapor rico em nicotina, substâncias prejudiciais à saúde.

Os riscos da condição são grandes, de comprometimento da função cardiovascular a óbito, segundo Ignatios Ikonomidis, professor da Universidade Nacional e Kapodistrian de Atenas, na Grécia, e um dos autores do estudo.

“A pesquisa sugere que fumar qualquer produto de tabaco se tornou ainda mais perigoso durante a pandemia da Covid-19 devido à necessidade de usar uma máscara por longas horas. Pesquisas anteriores mostraram que a função vascular prejudicada está ligada a problemas cardíacos e morte prematura”, detalha.

O estudo concentrou-se em cigarros tradicionais (combustíveis) e os cigarros não combustíveis, também chamados de tabaco aquecido – eles contêm tabaco, mas o produto é aquecido eletronicamente a uma temperatura mais baixa do que em um cigarro tradicional, liberando um aerossol inalável contendo nicotina. Os populares cigarros eletrônicos, também chamados de vaping, não foram usados no experimento.