A cidade de Engenheiro Caldas, no Vale do Rio Doce, será sede da maior usina solar fotovoltaica já implantada na região, com capacidade instalada de cinco milhões de quilowatts-hora (kWh). Esse volume representa 40% da capacidade da maior usina de Minas Gerais, localizada em Montes Claros, no Norte do estado. A operação da nova planta está prevista para começar no dia 5 de julho, marcando um avanço expressivo na geração de energia limpa em solo mineiro.

O investimento total no empreendimento foi de R$ 17 milhões, sendo parte do valor aportado por empresas privadas parceiras da operação. A fase de construção e instalação da usina gerou cerca de 50 empregos diretos e indiretos na região. O modelo adotado será o de geração compartilhada, no qual a energia gerada é alocada a um consórcio e distribuída entre empresas e residências participantes. Esse consórcio funciona como uma associação de consumidores que se beneficiam da geração distribuída, com os créditos de energia repassados de forma proporcional às cotas de participação de cada integrante.

A energia será compensada diretamente na fatura de energia elétrica dos consorciados, com redução significativa nas tarifas pagas à distribuidora regional. Toda a operação da usina, incluindo manutenção e a gestão técnica do consórcio, ficará sob responsabilidade de uma das empresas participantes, garantindo conformidade com normas regulatórias e eficiência na distribuição.

A nova usina solar trará impactos ambientais positivos de longo prazo. Estima-se que sua produção evitará a emissão de cerca de 12,9 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) ao longo de 20 anos. Um diferencial importante do projeto está na ausência de desmatamentos extensivos e no fato de que sua operação não demanda o uso de recursos hídricos, um fator estratégico para a sustentabilidade. Além disso, o uso do solo para a implantação dos painéis solares é reversível. Ao final da vida útil da usina, estimada entre 25 e 30 anos, a área utilizada poderá ser recuperada ou reutilizada, uma vez que o terreno não sofre modificações permanentes.

O projeto faz parte de um movimento mais amplo de expansão da energia solar em Minas Gerais, estado que, em maio, atingiu a marca de 12 gigawatts (GW) de potência fiscalizada — consolidando sua liderança nacional no setor. A expansão tem sido impulsionada por políticas públicas voltadas ao incentivo de fontes renováveis, atraindo bilhões de reais em investimentos privados e gerando milhares de empregos diretos em dezenas de municípios mineiros.

No Vale do Rio Doce, mais de 41 mil unidades geradoras de energia solar fotovoltaica distribuída já estão em funcionamento. Além disso, a região conta com três usinas centralizadas, instaladas nos municípios de Caratinga e Ipatinga, reforçando o protagonismo regional na matriz energética sustentável do estado.

Recentemente, foi anunciada uma nova linha de financiamento para projetos de energia solar em Minas Gerais, com recursos que somam aproximadamente R$ 170 milhões. O crédito será destinado a iniciativas distribuídas por diferentes municípios mineiros, incluindo Guaxupé, Carandaí, Matosinhos, Ponte Nova, Carmópolis de Minas, Nova Lima, Caeté, Caxambu, Sete Lagoas, São Francisco, Araxá, Monte Sião, Minduri e Ibiá. No total, 22 projetos devem ser contemplados com essa nova rodada de financiamento, ampliando ainda mais a participação das fontes renováveis na matriz energética do estado.

A chegada da usina fotovoltaica em Engenheiro Caldas representa mais do que um marco na produção de energia solar na região: trata-se de um modelo de desenvolvimento sustentável, inclusão energética e inovação tecnológica com foco na descarbonização da economia e na preservação ambiental.

Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG


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