Desde que as empresas de ônibus tiveram acesso a um recurso de R$ 226,5 milhões pago como subsídio pela prefeitura de Belo Horizonte, o número de viagens de ônibus não parou de subir. Entre julho e agosto, segundo balanço apresentado pelo Executivo Municipal, nesta terça-feira (20), o aumento foi de 33% no número total de viagens de ônibus. Mas o problema de veículos lotados, especialmente nos horários de pico, permanece, e a solução ainda parece distante.

A apresentação do balanço foi comandada pelo superintendente de Mobilidade Urbana da capital, André Dantas. Em sua fala, ele destacou o aumento no número de usuários do transporte público, que passou de 913.848 mil pessoas em julho para 1.013.307 no mês passado, com uma média de 45 passageiros por viagem.

Mesmo com números positivos, André foi questionado pelos vereadores presentes no encontro sobre as constantes reclamações registradas pelos usuários sobre os ônibus que circulam lotados, especialmente nos horários de pico. Segundo ele, uma solução para o problema passaria por uma reformulação de toda a rede de transporte público – algo que é estudado, mas ainda está lomge de ser implementado.

“Eu estou trabalhando, junto da nossa equipe, num esforço muito grande, para remodelar a rede. A rede de hoje é o resultado de um conjunto de ajustes de ‘estética pra lá e para cá’, e ela precisa ser atualizada. Claramente, situações de organizações sistêmicas têm que ser contempladas”, disse o superintendente, que revelou que o estudo sobre o assunto deve ficar pronto somente em 2023.

A resposta foi criticada pelo vereador Gabriel Azevedo (sem partido), que defende a repactuação do contrato para prestação do serviço de transporte público.

“O subsídio tá dado, o número de ônibus na rua aumentou, os empresários fizeram a parte deles no que cabia, e a Câmara também. Mas de essência, neste grupo de trabalho, este contrato de 2008 não pode continuar como está, porque senão vai ficar a mesma coisa. Se aumenta o número de ônibus na rua, diminui o número médio de passageiros, o que não quer dizer que não está lotado. Se tiver um ônibus com 150 pessoas no horário de rush (pico) e um ônibus vazio de madrugada, na média, tá baixo, o que é impacto quase zero na vida de quem pega ônibus”, disse o vereador.

O parlamentar acusa a prefeitura de descumprir com a parte dela no acordo feito para o pagamento do subsídio. Ele questionou o porquê de a prefeitura ter pedido a nulidade de duas ações do Ministério Público que pedem o fim do contrato com as empresas de ônibus.

“Se este grupo de trabalho não conseguir repactuar esse contrato com as empresas de ônibus, até março do ano que vem, uma das soluções é a nulidade desse contrato. Então a prefeitura de Belo Horizonte poderia deixar de exercer um papel de defender empresário e passar a defender o povo, para aí sim a cidade ficar mais feliz. De resto, isso não passa de um slogan muito clichê de publicidade”, alegou Gabriel, em tom irônico, em relação ao slogan adotado pela administração do prefeito Fuad Noman (PSD).

Desde julho, as empresas de ônibus já receberam cerca de R$ 107 milhões da prefeitura de BH para que retomem a operação do transporte público para patamares aceitáveis. Até março de 2023 serão pagos R$ 226,5 milhões para as concessionárias.

Reclamações

Nos canais oficiais de denúncias sobre o transporte público, criados recentemente pela prefeitura de Belo Horizonte, 30% das reclamações estão relacionadas ao descumprimento do quadro de horários. Outras 19% fazem referência à superlotação dos ônibus e 10% relatam descumprimento do local de embarque e desembarque.

Segundo o André Dantas, todos esses relatos resultaram na fiscalização de 80 linhas e emissão de 167 multas pelo descumprimento máximo de ocupação nos ônibus. Ao todo, 23 linhas que estavam circulando superlotadas foram flagradas pelos agentes da BHTrans no último mês.

A campeã de insatisfação entre os usuários é a linha 806 (Estação São Gabriel/Vista do Sol via Nazaré), que liderou com folga o quadro de reclamações, com 750 queixas. A segunda linha mais problemática é a 823 (Estação São Gabriel/Bairro Vitória), com 300 reclamações. Ambas passam por problemas pontuais, segundo o superintendente de mobilidade da capital.