O candidato ao governo de Minas, Alexandre Kalil (PSD), está com o ex-presidente Lula porque os dois se identificam na prioridade ao combate à fome e à pobreza. Enquanto isso, o governador Romeu Zema (Novo) aponta que a grande vantagem do presidente Jair Bolsonaro (PL) é que no governo dele “tem corrupção em uma escala muito menor” do que em outros governos.

Em sabatina realizada pela rádio CBN e os jornais Valor e O Globo, nos dias 5 e 6 de setembro, Kalil e Zema conseguiram deixar bem claro as diferenças nas suas propostas para o governo de Minas. Nos 90 minutos de entrevista, os dois candidatos tiveram tempo para aprofundar em diversos assuntos e mostrar que pensam de maneira muito divergente.

Além da questão política e do que os aproxima com relação a Lula e Bolsonaro, Kalil e Zema também conseguiram esclarecer suas diferentes visões com relação a temas importantes para a vida dos mineiros.

Privatizações

Enquanto Kalil reforçou mais uma vez seu compromisso de não privatizar a Cemig nem a Copasa, Zema admitiu que irá avançar com a venda das duas empresas, caso seja reeleito. “Minha pauta é privatizar”, definiu.

Kalil demonstrou preocupação com o papel social que as empresas têm, especialmente nas regiões mais carentes do Estado. Ele lembrou que, em muitos locais, por exemplo, a energia elétrica é que garante a irrigação em áreas de agricultura familiar, e que uma empresa privada simplesmente fará o corte da luz em caso de atraso no pagamento.

“Sendo pública, tem jeito. Para quem não sabe, tem local que usa lamparina em Minas Gerais, até hoje. O último programa que teve, que foi do presidente Lula, foi o Luz para Todos. Como é que se vai privatizar?”, questionou.

No caso da Copasa, Kalil lembra que a situação é mais complicada ainda porque a empresa tem a concessão dada pelos municípios para prestar serviço de abastecimento de água”.

Mineração na Serra Curral

A autorização para a exploração minerária na Serra do Curral é outro ponto divergente entre os candidatos. O Governo do Estado autorizou a atividade, mas a Prefeitura de Belo Horizonte tenta fazer o tombamento completo da serra, o que impediria a mineração no local.

Questionado sobre o tema, o governador Romeu Zema disse que “defende um tombamento responsável”, mostrando que o seu compromisso é com os empresários da mineração. A própria jornalista que conduzia a entrevista perguntou ao governador se ele não deveria defender uma mineração responsável, diante do histórico de tragédias que Minas tem com relação ao rompimento de barragens.

Já kalil, ao falar do mesmo assunto, defendeu o tombamento total da Serra do Curral e a volta da fiscalização para o setor de mineração no Estado.

Sou a favor do tombamento total da Serra (do Curral). Para a mineração, sou a favor de fiscalização, como sempre teve. Minas Gerais nunca foi essa desordem que nós estamos passando hoje para o país”.

Isenção Fiscal para beneficiar milionários

Kalil e Zema também têm posições diferentes sobre a redução da alíquota de IPVA para as locadoras de veículos. Enquanto todos os proprietários pagam anualmente 4% do valor de seus veículos como imposto, as locadoras com frotas maiores pagam apenas 1%, o que garante uma isenção fiscal de R$ 1 bilhão ao ano.

Coincidentemente, um dos empresários do ramo de locação de veículos é um dos maiores financiadores do partido de Zema, o Novo.

Eu vou voltar com o imposto, que é do povo. Não pode você, eu, todo mundo pagar 4% e um bilionário pagar 1%”.

Regime de Recuperação Fiscal

A negociação da dívida de Minas com o governo federal também coloca os dois candidatos em lados opostos.

Kalil defendeu que a primeira medida de sua administração, caso seja eleito, será rever o modelo defendido pelo atual governo, já que ele limita investimentos, contratação de pessoal e aumento salarial para os servidores.

Já Romeu Zema defende que esse é o melhor caminho para Minas, apesar das imposições do Tesouro Nacional de rígido controle de gastos ao Estado.

Se eu conseguir economizar em energia elétrica eu posso sim usar isso com pessoal”, exemplificou o próprio governador, mostrando como o Estado estará nas mãos do governo federal e não terá autonomia para decidir seus investimentos.


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