Durante visita ao Sul de Minas, no último fim de semana, o governador Romeu Zema (Novo) enalteceu, em um vídeo, o pré-candidato a deputado federal Ulisses Guimarães Borges, do MDB, ex-prefeito da cidade de Caldas.

Ulisses foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF), em 2021, por suspeita de fraudes em licitação no transporte escolar quando era prefeito de Caldas, tendo sido, inclusive, alvo de mandados de busca e apreensão.

A Justiça Federal aceitou a denúncia do MPF, e o ex-prefeito se tornou réu, com outras oito pessoas, por irregularidades no processo de licitação para contratação do serviço. O processo, conforme consta no site da Justiça, ainda está em andamento, e não há nenhuma decisão de mérito.

No vídeo, publicado nas redes sociais do ex-prefeito, Zema exalta a importância do apoio. “Estou aqui, em Poços de Caldas, com o Ulisses, e fico muito satisfeito de termos um pré-candidato como o Ulisses, que tem toda a condição de representar a cidade. Pela importância, Poços de Caldas precisa ter um representante em Brasília, e fica esse nome que, com toda a certeza, irá fazer a melhor representação para a cidade. Conte conosco (Ulisses)”, afirmou.

“Estou com o governador Romeu Zema, que colocou Minas nos trilhos, o salário em dia, melhorou a economia. É um prazer recebê-lo no Sul de Minas, tem todo o nosso apoio, do nosso partido municipal. Vamos conseguir ainda mais investimentos na nossa região e no nosso Estado”, declarou Ulisses no vídeo.

Ulisses foi prefeito de Caldas entre 2013 e 2018, quando deixou a prefeitura para se candidatar a deputado, mas não foi eleito. Segundo as investigações, a gestão do ex-prefeito teria direcionado uma licitação para que uma empresa previamente escolhida prestasse serviços de transporte escolar e que a empresa não tinha qualificação para prestar o serviço. O MPF também afirmou que houve pagamento de propina a gestores.

Conforme a denúncia, entre 2013 e 2015, a Controladoria Geral da União apontou que o transporte escolar do município de 14,5 mil habitantes utilizou mais de R$ 5,7 milhões em recursos.
A denúncia ainda relatava “uma série de ações praticadas pelos investigados ao longo dos anos, com o objetivo de promover, sistematicamente, fraudes licitatórias que viessem a viabilizar, num segundo momento, o desvio dos recursos públicos em favor dos agentes públicos envolvidos e dos entes privados”.

O governo de Minas foi procurado para comentar a gravação do vídeo, mas não tinha se manifestado até o fechamento da edição. O Aparte ligou para Ulisses Guimarães e enviou mensagens, mas não obteve contato. Na época da ação do MPF, ele negou irregularidade.