O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi designado relator no pedido de investigação da Polícia Federal sobre acusações de assédio sexual envolvendo Silvio Almeida, ex-ministro de Direitos Humanos e Cidadania, que nega as alegações. Mendonça será responsável por determinar se o STF tem competência para julgar o caso, uma vez que os supostos incidentes teriam ocorrido enquanto Almeida ocupava um cargo ministerial. Caso o ministro entenda que o STF não é o foro adequado, o processo deverá ser encaminhado para a primeira instância.
A Polícia Federal optou por enviar o caso ao STF antes de formalizar o inquérito, numa tentativa de evitar questionamentos futuros sobre a validade da investigação. Segundo a corporação, os elementos colhidos na investigação preliminar indicam que há indícios suficientes para a abertura de um inquérito formal.
Uma das supostas vítimas foi ouvida pela PF no dia 10 de setembro, prestando depoimento de forma remota. Seu relato, que foi detalhado, reforça outras denúncias que emergiram contra Almeida, sugerindo um possível padrão de comportamento. A ONG Me Too Brasil, que divulgou e confirmou as denúncias, também foi intimada pela PF para colaborar com as investigações. Fundada em 2019, a organização apoia vítimas de violência sexual e auxilia mulheres que desejam formalizar suas queixas.
Além disso, universidades onde Almeida trabalhou também foram notificadas. As acusações contra o ex-ministro foram inicialmente reveladas pelo portal Metrópoles, que indicou a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, como uma das possíveis vítimas. Após a divulgação das denúncias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demitiu Silvio Almeida do cargo um dia depois do caso vir a público.

