Por Marco Aurélio Carone –

O ano de 2025 promete ser de embates políticos significativos em Minas Gerais, com a capital e o estado vivenciando cenários estratégicos que definirão os rumos de importantes lideranças políticas e pautas de grande relevância. Em Belo Horizonte, o prefeito Fuad Noman (PSD) inicia seu segundo mandato enfrentando o desafio de garantir uma Câmara Municipal mais alinhada à sua administração, após dificuldades em seu primeiro mandato devido à oposição do então presidente da Câmara, Gabriel Azevedo (MDB). Já no âmbito estadual, o governador Romeu Zema (Novo) e seus aliados terão de equilibrar as movimentações eleitorais e a tramitação de projetos sensíveis, como a privatização da Copasa e da Cemig, enquanto preparam o terreno para as eleições gerais de 2026.

Reeleito em 2024, Fuad Noman inicia 2025 determinado a superar o histórico de atritos com a Câmara Municipal de Belo Horizonte. Durante seu primeiro mandato, o prefeito enfrentou dificuldades para aprovar projetos estratégicos, principalmente devido à postura crítica de Gabriel Azevedo, que comandou o Legislativo municipal com firmeza e se destacou como uma das principais vozes de oposição ao governo.

Com a saída de Gabriel Azevedo da presidência da Câmara, Fuad busca articular uma base sólida para garantir que seus projetos avancem sem os mesmos entraves. A eleição para a Mesa Diretora da Câmara, marcada para 1º de janeiro, será um primeiro teste para essa nova configuração política. Fuad apoia a candidatura de Bruno Miranda (PDT), líder de seu governo, em um esforço para assegurar maior alinhamento com o Legislativo municipal. A disputa, no entanto, promete ser acirrada, com Juliano Lopes (Podemos) sendo o principal adversário na corrida pela presidência da Câmara.

Caso consiga consolidar uma base aliada, Fuad terá mais tranquilidade para implementar políticas que priorizem áreas sensíveis, como mobilidade urbana, saúde e habitação, temas que foram amplamente debatidos durante a campanha de reeleição. No entanto, a relação entre Executivo e Legislativo será determinante para o sucesso de seu segundo mandato.

No âmbito estadual, o cenário político também será marcado por disputas intensas. O governador Romeu Zema terá um ano decisivo em 2025 para articular sua possível candidatura à presidência da República em 2026. Enquanto busca fortalecer sua imagem nacional, Zema também precisará garantir que seu sucessor no governo de Minas Gerais esteja bem posicionado para a disputa eleitoral.

O nome mais cotado para representar a continuidade de sua gestão é o do vice-governador, Mateus Simões, que ganhou destaque como uma das figuras mais próximas do governador. Simões terá o desafio de fechar alianças políticas e consolidar apoios que possam viabilizar sua candidatura ao Palácio Tiradentes. Para isso, será fundamental o apoio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), onde Zema enfrentará batalhas importantes, como a aprovação da privatização da Copasa e da Cemig.

A privatização das duas empresas estaduais é um dos principais projetos do governo e deve gerar intensos debates na ALMG. A pauta é vista por aliados como essencial para modernizar a gestão pública e atrair investimentos, mas enfrenta resistência de setores da oposição e de sindicatos ligados aos trabalhadores dessas companhias. O desfecho dessa discussão será crucial não apenas para o governo Zema, mas também para a candidatura de Simões, que terá de demonstrar capacidade de articulação política para lidar com um tema tão controverso.

Curiosamente, até o momento, nenhum nome de oposição se apresentou formalmente para disputar o governo de Minas Gerais em 2026. Isso reflete tanto o peso político da máquina estadual controlada por Zema quanto a dificuldade de articulação das forças de oposição, que ainda buscam um nome competitivo para entrar na disputa. Esse vácuo pode beneficiar o grupo político de Zema, permitindo que Mateus Simões se fortaleça como candidato natural à sucessão.

Enquanto Zema se movimenta no cenário nacional, o senador Rodrigo Pacheco (PSD) deve intensificar sua atuação política em Minas Gerais. Com o término de seu mandato como presidente do Senado, Pacheco terá mais tempo para articular sua candidatura ao governo estadual, posição que ele já sinalizou ter interesse em disputar em 2026.

Pacheco, que possui bom trânsito entre lideranças políticas de diferentes espectros, busca se consolidar como um nome de consenso capaz de unificar forças em oposição ao grupo político de Zema. Para isso, ele deverá construir uma base ampla, envolvendo partidos progressistas e conservadores que não se alinham diretamente ao Novo. Além disso, seu foco será atrair o apoio de prefeitos e lideranças regionais, fortalecendo sua presença no interior de Minas Gerais.

Com Rodrigo Pacheco na disputa pelo governo estadual, o cenário eleitoral mineiro promete ser um dos mais polarizados do país, envolvendo projetos políticos com visões bastante distintas sobre o papel do Estado e as prioridades de gestão pública.

As movimentações em Minas Gerais em 2025 terão reflexos diretos no cenário nacional. Zema, enquanto trabalha para viabilizar sua candidatura presidencial, precisará demonstrar que mantém governabilidade no estado e que é capaz de entregar resultados concretos, como a aprovação das privatizações. Por outro lado, Pacheco poderá usar sua influência no Senado e sua experiência na política nacional para se posicionar como um contraponto à agenda do Novo no estado.

Além disso, os desafios enfrentados por Fuad Noman em Belo Horizonte servirão como um termômetro para medir a capacidade de articulação política das lideranças locais, especialmente no que diz respeito à relação entre Executivo e Legislativo. Com disputas acirradas em todos os níveis e a ausência de um nome forte da oposição estadual até o momento, 2025 será um ano crucial para definir os caminhos políticos de Minas Gerais e suas lideranças. As negociações, alianças e decisões tomadas ao longo do ano moldarão não apenas as eleições de 2026, mas também o futuro político do estado no cenário nacional.

Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG