Líderes latino-americanos participam nesta quarta-feira (9), em Honduras, da IX Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). O encontro reúne representantes de 33 países, mas apenas 11 chefes de Estado ou de Governo confirmaram presença, entre eles Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Claudia Sheinbaum (México) e Gustavo Petro (Colômbia), líderes das três maiores economias da região.
A reunião ocorre em meio ao aumento das tensões comerciais provocadas por novas tarifas anunciadas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O republicano impôs sobretaxas de 10% às importações de diversos países latino-americanos, incluindo Brasil, Colômbia, Argentina, Chile e Peru. Para Venezuela e Nicarágua, as tarifas sobem para 15% e 18%, respectivamente. O México ficou fora da lista principal, mas enfrenta taxas de até 25% sobre automóveis, aço e alumínio.
O encontro será presidido pela anfitriã, Xiomara Castro, presidente de Honduras. Ela fará a abertura às 10h (13h de Brasília) e encerrará o evento sete horas depois, conforme o cronograma oficial.
Paralelamente à cúpula, uma delegação chinesa liderada por Qu Yuhui, vice-diretor do Departamento de Assuntos Latino-Americanos do Ministério das Relações Exteriores da China, intensifica contatos bilaterais com representantes de 15 países. O objetivo é fortalecer a presença chinesa na região em meio ao desgaste causado pelas políticas tarifárias dos EUA.
A China planeja realizar uma conferência ministerial com a Celac em 13 de maio, em Pequim, com participação do presidente Xi Jinping. Segundo Qu, o líder chinês fará o discurso de abertura. A delegação chinesa já se reuniu com representantes de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, México, Panamá, Suriname, Uruguai, Venezuela, Bahamas, Barbados e São Vicente e Granadinas.
Para analistas, as novas tarifas impostas por Trump abrem espaço para maior influência chinesa na América Latina. “É um presente dos Estados Unidos”, afirmou o especialista peruano Francisco Belaunde. “A China quer se mostrar como um parceiro confiável e defensor do livre comércio.”
Francisco Rojas, reitor da Universidade para a Paz da Costa Rica, reforça a importância da presença de Brasil, México e Colômbia no encontro. “Esses três países têm força para liderar a reação regional às tarifas e iniciar um diálogo estratégico diante do cenário global”, destacou.
A Argentina, terceira maior economia da América Latina, será representada por um enviado do governo de Javier Milei.
Foto: Ricardo Stuckert/PR/AFP

