A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), reuniu-se nesta terça-feira (9) com os 17 deputados federais do PDT, em mais uma tentativa de reaproximar o partido do governo federal. O encontro buscou restabelecer canais de diálogo e recompor a base de apoio na Câmara dos Deputados, mas, segundo relatos, a recepção foi marcada por frieza e insatisfação.

Durante a reunião, parlamentares reforçaram críticas ao tratamento dado pelo Executivo à legenda, especialmente após a saída de Carlos Lupi do Ministério da Previdência Social. Lupi deixou o cargo em meio a denúncias de fraudes bilionárias no INSS e foi substituído por Wolney Queiroz, também do PDT. No entanto, a bancada não considerou a nomeação como compensação política, mas sim como uma escolha pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mesmo antes da saída de Lupi, o partido já se queixava da pouca presença na Esplanada dos Ministérios, sobretudo se comparado a partidos do centrão, como PP e Republicanos, que comandam pastas importantes e, ainda assim, protagonizam episódios de infidelidade nas votações do Congresso.

Apesar da tentativa de diálogo, o PDT decidiu manter a posição de independência. “Reiteramos o caráter de independência da bancada, naturalmente sem oposição. A oposição está muito longe do nosso campo ideológico”, afirmou o líder da legenda na Câmara, deputado Mário Heringer (MG).

Ainda assim, os parlamentares avaliaram como positiva a disposição de Gleisi em ouvir críticas e sinalizar abertura para uma possível reconstrução da relação com o Planalto. Segundo interlocutores do governo, a ministra demonstrou interesse em negociar novos termos para a aliança.

Desde que anunciou seu distanciamento formal do governo, o PDT tem se posicionado de maneira crítica em votações estratégicas. Um dos episódios mais emblemáticos foi a derrubada, pela Câmara, dos decretos presidenciais que aumentavam o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Na ocasião, 16 dos 17 deputados do partido votaram contra a proposta do Executivo, contribuindo para uma significativa derrota do governo federal, que acabou judicializando a medida.

Nos bastidores, contudo, há uma percepção de que uma reconciliação é viável. A possível saída do ex-ministro Ciro Gomes, que negocia sua filiação ao PSDB, pode favorecer uma mudança no posicionamento da legenda. Além disso, a discussão sobre uma possível federação entre o PDT e o PSB, que já ocupa ministérios e a vice-presidência da República, pode abrir espaço para um novo alinhamento político com o governo.

Foto: Lula Marques/Agência Brasil

 

 


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