As investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público revelaram que a organização criminosa que domina parte do mercado de combustíveis no Brasil, alvo das operações Carbono Oculto, Tank e Quasar, está profundamente ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e a outros grupos criminosos. O *Estadão* analisou 10.986 páginas de decisões judiciais e relatórios que mostram conexões com personagens investigados nas principais operações contra o crime organizado na última década.
Entre os envolvidos estão líderes que controlam a Cracolândia, em São Paulo, e um dos principais acionistas da UPBus, empresa associada a narcotraficantes que transformaram o bairro do Tatuapé na chamada “Little Italy”. Também aparecem nas investigações nomes ligados à máfia dos Balcãs, parceiros de André do Rap, e à ’Ndrangheta, organização criminosa italiana da Calábria, incluindo o chamado “Concierge do PCC”. Além disso, destacam-se os núcleos da Família Cepeda e de José Carlos Gonçalves, conhecido como Alemão, apontados como responsáveis por lavar dinheiro para Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo do PCC.
Para entender a complexidade dessas ligações, as autoridades indicam como referência o processo nº 1024067-19.2023.8.26.0224, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, que soma 8.056 páginas. “Esse material é fundamental para qualquer estudo aprofundado sobre o avanço do crime organizado no país”, apontam investigadores. Recentemente, seis novos acusados tiveram a prisão decretada.
A investigação teve início em 14 de maio de 2023, quando o policial rodoviário federal Luiz Alexandre Aleixo levou o motorista Renan Diego da Silva à Delegacia de Crimes Ambientais da PF em São Paulo. Poucas horas antes, Renan havia sido parado durante uma fiscalização de rotina na altura do km 226 da Rodovia Presidente Dutra, sentido São Paulo, dirigindo um caminhão-tanque. Esse episódio foi o ponto de partida para desvendar uma rede criminosa com ramificações nacionais e internacionais.
Foto: Polícia Federal

