O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira que segue “mais forte que nunca e com a cabeça erguida” para disputar as eleições presidenciais. A declaração foi feita durante o terceiro Seminário Nacional de Comunicação do Partido Liberal (PL), realizado no Rio de Janeiro, poucos dias após a crise pública envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em seu discurso, o parlamentar evitou citar diretamente a madrasta, concentrou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao governo federal e apresentou algumas das principais bandeiras que pretende defender durante a campanha.
Ao discursar para dirigentes, parlamentares e apoiadores da legenda, Flávio disse acreditar que sua candidatura representa um propósito maior. Segundo o senador, somente aceitou disputar a Presidência por considerar que sua missão faz parte de um projeto maior. Na sequência, afirmou estar preparado para enfrentar a disputa eleitoral e disse que pretende conduzir a campanha defendendo princípios ligados à segurança pública, aos valores familiares e ao combate à criminalidade.
Entre as propostas destacadas, o senador voltou a defender o endurecimento da legislação penal. Flávio afirmou que pretende tratar integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas e defendeu a manutenção da prisão para autores de violência contra mulheres. Também criticou a gestão do governo federal, afirmando que o país enfrenta aumento da violência e da carga tributária, temas que, segundo ele, deverão ocupar espaço central em sua campanha presidencial.
Embora não tenha mencionado Michelle Bolsonaro durante a fala, o evento ocorreu em meio aos desdobramentos da crise iniciada após a divulgação de um vídeo em que a ex-primeira-dama afirmou ter sido maltratada pelo senador durante uma conversa telefônica. O episódio ocorreu após divergências sobre a estratégia política do PL no Ceará, especialmente em relação ao apoio do partido à pré-candidatura de Ciro Gomes ao governo estadual.
Na tentativa de reduzir o desgaste junto ao eleitorado feminino, Flávio participou do seminário cercado por lideranças mulheres da legenda. Entre elas estavam as deputadas federais Bia Kicis e Chris Tonietto, presidente do PL Mulher no estado do Rio de Janeiro. A presença das parlamentares reforçou a estratégia da campanha de ampliar o diálogo com as mulheres e demonstrar unidade dentro do partido.
Outro movimento adotado pela equipe do senador é a busca por uma candidata para ocupar a Vice-Presidência da República na chapa. A avaliação dos coordenadores da campanha é que uma mulher poderá complementar o perfil político de Flávio Bolsonaro e ampliar o alcance eleitoral da candidatura entre diferentes segmentos do eleitorado.
Na última quarta-feira, em Brasília, o senador participou da primeira reunião de pré-campanha dedicada exclusivamente às mulheres. Na abertura do encontro, agradeceu o trabalho desenvolvido por Michelle Bolsonaro à frente do PL Mulher, afirmou que as portas da campanha permaneceriam abertas para ela e defendeu a união das lideranças conservadoras. Apesar do gesto, também fez críticas a uma nova publicação divulgada pela ex-primeira-dama. Na mesma reunião, Flávio repudiou declarações do influenciador Paulo Figueiredo, que afirmou que as mulheres “votam mal”.
O coordenador da campanha presidencial, senador Rogério Marinho, informou que as conversas para definir a candidata à Vice-Presidência deverão começar na próxima semana. Segundo ele, o partido procura um nome que complemente as características de Flávio Bolsonaro, reunindo identificação com os valores defendidos pelo PL e capacidade de ampliar o diálogo com o eleitorado. Marinho afirmou que ainda não existem negociações formais e lembrou que a convenção nacional da legenda está marcada para o dia 25 de julho.
O seminário também reuniu lideranças do partido no Rio de Janeiro. Participaram do evento o pré-candidato ao governo estadual, Douglas Ruas, o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, apontado como um dos cotados ao Senado, além do senador Carlos Portinho e do deputado federal Carlos Jordy.
Segundo Rogério Marinho, Douglas Ruas será o candidato do PL ao governo fluminense. Já a definição do segundo nome da chapa para o Senado ficará a cargo do ex-presidente Jair Bolsonaro, que deverá anunciar sua decisão em conjunto com Flávio Bolsonaro após as conversas internas da legenda.
Durante sua participação no evento, Douglas Ruas defendeu maior integração entre os candidatos do partido, criticou a atual taxa de juros e voltou a fazer críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro afirmou que o sucesso eleitoral dependerá da atuação coordenada das lideranças e do alinhamento das mensagens durante toda a campanha. Encerrando sua fala, pediu união entre os integrantes do partido e declarou que uma estratégia unificada poderá fortalecer o desempenho do PL nas eleições deste ano
Foto: Luis Felipe Azevedo

