O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao governador do Ceará, Elmano de Freitas, que mantenha uma campanha eleitoral em alto nível durante a disputa pela reeleição ao governo estadual. Em discurso realizado nesta quinta-feira, em Juazeiro do Norte, Lula afirmou que o aliado não deve recorrer a ataques pessoais nem adotar estratégias de confronto consideradas desleais contra o ex-ministro Ciro Gomes, que será um dos principais adversários na eleição. O presidente defendeu que a resposta às críticas seja dada por meio da apresentação das realizações do governo estadual e das ações desenvolvidas em parceria com o governo federal.
Ao falar para apoiadores durante a agenda no interior cearense, Lula afirmou que Elmano deve evitar o chamado “jogo rasteiro” e não reduzir o nível do debate político. Segundo o presidente, a campanha deve ser baseada em propostas e resultados administrativos, permitindo que o eleitor compare o desempenho dos candidatos e faça sua escolha com base nas entregas realizadas ao longo dos mandatos.
Além da orientação sobre a condução da campanha, Lula aproveitou o discurso para elogiar o governador. O presidente afirmou que o Ceará tem motivos para se orgulhar da escolha feita nas últimas eleições e destacou o caráter e o comportamento de Elmano de Freitas. Em tom de apoio político, disse que, se pudesse, transferiria seu título eleitoral para o estado apenas para votar na reeleição do governador.
Sem mencionar diretamente Ciro Gomes, Lula também declarou conhecer diversos políticos cearenses que já ocuparam cargos importantes na administração estadual. Segundo ele, aqueles que hoje criticam a atual gestão devem ser avaliados pela população a partir do histórico de realizações durante os períodos em que exerceram funções públicas. O presidente afirmou que não basta apresentar discursos contundentes durante a campanha e defendeu que o eleitor observe as obras, programas e políticas implementadas por cada candidato ao longo da carreira.
Na sequência, Lula ampliou o argumento e sugeriu que os eleitores façam o mesmo tipo de avaliação em relação aos ex-presidentes da República e aos demais concorrentes nas eleições deste ano. Para ele, a trajetória política e administrativa dos candidatos deve servir como um dos principais critérios para a definição do voto.
Do outro lado da disputa, Ciro Gomes tem intensificado as críticas ao governo estadual e ao Partido dos Trabalhadores. Um dos principais eixos de sua pré-campanha é a segurança pública. O ex-ministro costuma relacionar a gestão petista ao crescimento da criminalidade e da atuação das facções criminosas no Ceará. Em publicações nas redes sociais e entrevistas concedidas nos últimos meses, Ciro afirmou que os governos do PT teriam sido omissos diante do avanço da violência no estado.
O cenário eleitoral também ganhou novos contornos após a divulgação de pesquisas de intenção de voto. Levantamento do instituto Ipsos-Ipec divulgado no mês passado apontou Ciro Gomes na liderança da disputa pelo governo estadual, com 44% das intenções de voto. Elmano de Freitas aparece em segundo lugar, com 33%, enquanto o senador Eduardo Girão, do Novo, registra 4%. Os demais entrevistados declararam voto em branco, nulo ou ainda não haviam decidido em quem votar.
O mesmo levantamento simulou um eventual segundo turno entre Ciro Gomes e Elmano de Freitas. Nesse cenário, o ex-governador alcançou 49% das intenções de voto, enquanto o atual governador registrou 41%. Os votos brancos e nulos somaram 5%, e outros 5% dos entrevistados afirmaram permanecer indecisos.
A disputa pelo governo cearense também provocou desdobramentos dentro do campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ciro Gomes tornou-se o nome escolhido para receber o apoio do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República. A decisão provocou forte reação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que criticou publicamente a aproximação entre o partido e o ex-ministro.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Michelle afirmou que foi tratada de forma desrespeitosa por Flávio Bolsonaro durante uma conversa telefônica ocorrida após suas manifestações contrárias ao acordo político com Ciro. Segundo ela, o senador teria afirmado que seria melhor sua participação ficar restrita, alegando que ela ainda não compreendia as decisões internas da legenda.
Michelle também declarou que não via motivos para apoiar um candidato que, ao longo dos últimos anos, dirigiu críticas frequentes ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em sua avaliação, seria incoerente apoiar alguém que utilizou expressões ofensivas contra o ex-chefe do Executivo durante sucessivas disputas políticas.
As declarações geraram reações entre integrantes da família Bolsonaro e lideranças do PL. Flávio Bolsonaro criticou a postura da ex-primeira-dama, enquanto o deputado federal André Fernandes, presidente do diretório estadual do partido no Ceará, manteve o apoio à candidatura de Ciro Gomes. Para o parlamentar, a realidade política do estado justifica a composição, afirmando que os eleitores cearenses compreendem a estratégia adotada para enfrentar o grupo político atualmente no comando do governo estadual.
A composição da chapa apoiada pelo PL prevê ainda o deputado estadual Alcides Fernandes como possível candidato ao Senado, além da participação de Capitão Wagner e Roberto Cláudio em posições de destaque na aliança. A indicação ao Senado, contudo, continua sendo motivo de divergência dentro do partido, já que Michelle Bolsonaro defende a candidatura de Priscila Costa, vice-presidente nacional do PL Mulher e uma de suas principais aliadas políticas.
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