A Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (12) a indicação do diplomata Eduardo Botelho Barbosa para chefiar a embaixada do Brasil na República Árabe da Síria. A decisão, que contou com doze votos favoráveis e apenas um contrário, ocorreu após sabatina realizada com o indicado. O nome segue agora para apreciação do Plenário do Senado.
A indicação (MSF 57/2025), feita pela Presidência da República, foi relatada pelo senador Esperidião Amin (PP-SC). Em seu parecer, Amin destacou a importância de uma atuação diplomática consistente em um momento de transição política no país árabe, após o encontro do novo presidente sírio, Ahmed Hussein Al-Sharaa, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última segunda-feira (10). “O presidente Trump se manifestou de maneira simpática, dizendo que Al-Sharaa é um homem de luta, forte. Não deixa de ser um sinal positivo para aquele país tão sofrido, que tem uma descendência no Brasil singular”, observou Amin.
Durante a sabatina, Barbosa avaliou que a derrubada do ex-presidente Bashar Al-Assad, no poder desde o ano 2000, redesenha o papel da Síria de maneira mais favorável às nações ocidentais, ainda que o cenário permaneça incerto. “Vários países europeus e os Estados Unidos revisaram as sanções contra a economia local. A ONU também levantou sanções. Trump suspendeu restrições presidenciais, mas ainda há as impostas pelo Congresso americano. Uma Síria estável poderia reacender a esperança no Oriente Médio”, afirmou.
O diplomata destacou que, se confirmado no cargo, sua prioridade será reforçar a cooperação humanitária, com foco na reconstrução econômica e na crise migratória. Segundo ele, milhões de sírios têm retornado ao país após a mudança de regime. Barbosa apontou ainda que cerca de noventa por cento da população vive abaixo da linha da pobreza. “A guerra civil síria devastou o país, com treze anos de conflito, mais de quinhentos mil mortos e cerca de sete milhões de deslocados”, disse.
O novo governo, segundo Barbosa, ainda não representa plenamente a sociedade. “Um terço da Assembleia do Povo será designado diretamente por Al-Sharaa, o que limita a representatividade política”, explicou. Desde 2025, o parlamento e o exército foram dissolvidos pelo governo transitório.
Eduardo Botelho Barbosa, nascido em 1952 em Glasgow, na Escócia, é ministro de primeira classe do Itamaraty e atua como cônsul-geral em Zurique desde 2022. Com longa trajetória diplomática, já chefiou as embaixadas do Brasil na Argélia (2013-2019) e na Sérvia (2019-2022).
O Brasil manteve a embaixada em Damasco mesmo durante a guerra civil iniciada em 2011, com atividades temporariamente transferidas para o Líbano entre 2012 e 2018. A representação foi restabelecida em 2018, com novo embaixador residente, e retomou o diálogo com o governo sírio em 2024.
Os laços diplomáticos entre Brasil e Síria datam de 1945. Estima-se que quatro milhões de brasileiros sejam descendentes de sírios, enquanto cerca de três mil e quinhentos brasileiros vivem atualmente no país. O comércio bilateral, que chegou a quase seiscentos milhões de dólares em 2010, sofreu forte retração devido ao conflito, mas Barbosa destacou que “há espaço para retomar o intercâmbio, especialmente em produtos agrícolas e industriais”.
Segundo o Banco Mundial, a Síria tem população de aproximadamente vinte e quatro milhões e seiscentos mil habitantes e registrou um PIB de vinte bilhões de dólares em 2024.
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

