O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o governo federal discute um amplo processo de reestruturação dos Correios, empresa pública que enfrenta dificuldades financeiras, mas descartou de forma categórica qualquer possibilidade de privatização. Segundo o presidente, o objetivo é recuperar a estatal e garantir que ela volte a operar de forma sustentável e produtiva para o país.
“Enquanto eu for presidente, não tem privatização”, afirmou Lula, ao tratar do futuro da empresa durante entrevista concedida no Palácio do Planalto. Para ele, a saída passa por mudanças administrativas e pela busca de novos modelos de gestão, sem abrir mão do controle público.
O presidente explicou que estão em análise alternativas que incluem parcerias estratégicas com empresas nacionais e estrangeiras. “O que pode ter é construção de parcerias. Eu sei que tem empresas italianas querendo vir aqui discutir com o Correio, tem outras empresas brasileiras que querem discutir o Correio”, declarou. Em seguida, reforçou sua posição. “Pode existir parceria, pode transformar a empresa em empresa de economia mista, mas privatização não vai ter”, disse.
Lula atribuiu a crise enfrentada pelos Correios a decisões equivocadas tomadas em gestões anteriores. “O problema foi a gestão equivocada que foi feita nos Correios. Nós resolvemos colocar a mão na ferida e resolver. Vamos tomar as medidas que tiver que tomar, mudar todos os cargos que tiver que mudar”, afirmou, ao sinalizar que ajustes internos continuam em curso.
Em setembro, o governo federal promoveu a troca no comando da estatal. O atual presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, apontou que a intensificação da concorrência no comércio eletrônico teve impacto direto sobre os resultados financeiros da empresa. Segundo ele, a estatal perdeu espaço em um mercado cada vez mais disputado por grandes plataformas privadas.
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, também comentou a situação em declarações recentes. Para ela, a crise foi agravada pelo fato de governos anteriores terem incluído os Correios em listas de possíveis privatizações, o que teria inibido investimentos e dificultado a modernização da empresa.
Pouco depois de assumir o cargo, Rondon apresentou a primeira fase de um plano de reestruturação financeira e operacional. Entre as medidas anunciadas está a negociação de empréstimos junto a instituições financeiras, que podem chegar a R$ 20 bilhões, com o objetivo de garantir liquidez e viabilizar investimentos.
Além disso, a estatal negocia com o governo federal o aval necessário para essas operações e eventual apoio do Tesouro Nacional. O Ministério da Fazenda informou que os recursos disponibilizados devem ficar abaixo de R$ 6 bilhões, valor inicialmente cogitado pela empresa. Qualquer apoio financeiro, porém, estará condicionado ao cumprimento do plano de reestruturação.
Lula afirmou que empresas públicas precisam ser equilibradas financeiramente. “Uma empresa pública não precisa ser a rainha do lucro, mas ela não pode ser a rainha do prejuízo. Ela tem que se equilibrar”, declarou.
Em meio à crise, o governo editou um decreto que cria mecanismos para permitir que estatais federais não dependentes do Tesouro Nacional reorganizem suas contas sem perder essa condição automaticamente. A medida altera regras de transição entre empresas dependentes e não dependentes, buscando dar mais flexibilidade à gestão pública.
As declarações de Lula foram feitas durante um café da manhã com jornalistas, seguido de coletiva de imprensa no Palácio do Planalto. O presidente esteve acompanhado dos ministros Fernando Haddad, Rui Costa, Mauro Vieira e Marina Silva.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

