5 meses após ser indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal, o advogado-geral da União, Jorge Messias, intensificou a articulação política para garantir apoio no Senado e se reuniu com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, às vésperas da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça.
O encontro, realizado na semana passada em Brasília, marcou um movimento relevante após meses de distanciamento entre o indicado e o senador. Também participaram da conversa os ministros do Supremo Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, além do senador Rodrigo Pacheco.
Nos bastidores, o encontro foi interpretado como tentativa de reduzir tensões e abrir caminho para uma tramitação menos turbulenta da indicação. Segundo relatos de aliados, Messias pediu apoio diretamente a Alcolumbre, mas não obteve compromisso político explícito. Ainda assim, recebeu sinalização de que a sabatina e a votação em plenário devem ocorrer em ambiente institucional estável.
A ausência de manifestação pública de apoio por parte de Alcolumbre, contudo, mantém incertezas sobre a contagem de votos. O governo esperava gesto mais claro do presidente do Senado para influenciar parlamentares ainda indecisos. Parte desses senadores, segundo interlocutores, aguarda sinais do comando da Casa antes de se posicionar.
Hoje, mais de 30 senadores ainda evitam declarar voto publicamente, cenário que amplia o peso das negociações reservadas. Para ser aprovado, Messias precisa alcançar 41 votos favoráveis em plenário.
De acordo com o mapeamento mais recente, o indicado conta com 26 apoios declarados e busca conquistar ao menos mais 16 votos entre indecisos. Nas últimas semanas, ele ampliou visitas a gabinetes e conversas individuais para tentar consolidar maioria.
A reunião com Alcolumbre é considerada simbólica porque representa inflexão em relação ao impasse que marcou os últimos meses. Desde a indicação, em novembro, o presidente do Senado vinha evitando um encontro direto com Messias, em meio a desconforto com a escolha feita por Lula.
Nos bastidores, Alcolumbre teria preferido outro nome para a vaga aberta com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. O preferido seria Rodrigo Pacheco, hipótese que chegou a circular nas articulações políticas antes da definição do Planalto.
Ao optar por Messias, Lula repetiu estratégia adotada em indicações anteriores, privilegiando nomes de sua confiança, como Zanin e Flávio Dino.
Aliados do AGU avaliam que o impasse decorreu mais de resistências políticas e institucionais do que de objeções ao currículo do indicado. Nesse contexto, a aproximação com Alcolumbre é vista como tentativa de desarmar resistências e reduzir riscos para a votação.
Mesmo sem promessa de atuação para liberar votos, o presidente do Senado teria indicado disposição para garantir tramitação sem sobressaltos na CCJ e no plenário.
Com a sabatina marcada para quarta-feira, o foco do governo é transformar neutralidade institucional em apoio efetivo. A depender do comportamento dos indecisos e do grau de influência exercido por Alcolumbre nos bastidores, a votação poderá consolidar a indicação ou impor ao Planalto uma disputa mais apertada do que o previsto.
Foto: José Cruz/Agência Brasil

