O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, da carceragem da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, unidade destinada à custódia de presos provisórios. A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal, apresentado após o encerramento das negociações para um acordo de colaboração premiada. Na decisão, o ministro estabeleceu prazo de 24 horas para o cumprimento da transferência e determinou que fossem adotadas todas as medidas necessárias para garantir a integridade física do investigado e a segurança da operação. Mendonça também rejeitou o pedido de prisão domiciliar formulado pela defesa de Vorcaro.
O empresário permanecia preso na estrutura da Polícia Federal desde março porque participava de tratativas para uma possível delação premiada. Durante esse período, recebeu autorização para manter contatos frequentes com seus advogados para elaborar propostas de colaboração que pudessem contribuir com as investigações conduzidas pela Polícia Federal e acompanhadas pela Procuradoria-Geral da República. Entretanto, a situação mudou nas últimas semanas, quando a segunda proposta apresentada pela defesa foi rejeitada inicialmente pela Polícia Federal e, posteriormente, também pela Procuradoria-Geral da República.
Segundo a avaliação dos investigadores, o material apresentado por Vorcaro não continha fatos inéditos nem elementos de prova considerados suficientes para justificar a celebração de um acordo de colaboração premiada. Com isso, as negociações foram interrompidas e a Polícia Federal passou a defender que o banqueiro deixasse a carceragem da Superintendência, considerada inadequada para a permanência prolongada de presos preventivos sem perspectiva imediata de colaboração.
Ao analisar o pedido, André Mendonça afirmou que a decisão de transferência estava desvinculada das negociações envolvendo eventual delação premiada. O ministro registrou que a determinação era absolutamente dissociada de qualquer circunstância relacionada à existência ou não de tratativas para um acordo de colaboração, ressaltando que a mudança de local de custódia atendia aos critérios administrativos e operacionais apresentados pela Polícia Federal.
Durante a análise do caso, um dos pontos debatidos foi a presença do ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, na mesma unidade prisional. Ambos são investigados na Operação Compliance Zero, circunstância que levantou preocupação sobre a conveniência de manter os dois presos no mesmo estabelecimento. Apesar disso, integrantes da investigação reconheceram que não existia uma alternativa considerada ideal para a custódia de Vorcaro diante das particularidades do processo e das limitações das unidades disponíveis no Distrito Federal.
Ao final das discussões, prevaleceu o entendimento de que o desconforto manifestado pela Polícia Federal com a permanência do empresário em sua carceragem justificava a transferência para a Papudinha. A unidade, localizada ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda, ganhou notoriedade por já ter recebido presos de grande repercussão nacional, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-ministro Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques. As instalações da Papudinha são consideradas superiores às da penitenciária comum, com celas mais amplas, beliches, ventiladores, televisão e pequena copa, além de reformas que modernizaram parte da estrutura destinada aos presos provisórios.
Foto: Banco Master/Divulgação

