O azeite Alto da Serra Blend, produzido no município de Cristina, no Sul de Minas, conquistou a Medalha de Ouro na edição de 2026 do Evo International Olive Oil Contest (Evo IOOC), um dos principais concursos internacionais dedicados ao setor, realizado em Palmi, na região da Calábria, na Itália. Extraído no Campo Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em Maria da Fé, o produto também figurou entre os cinco melhores azeites da América do Sul, concorrendo ao prêmio especial Raúl C. Castellani.

A conquista representa um importante reconhecimento para a olivicultura mineira, que vem ampliando sua presença em competições nacionais e internacionais graças aos investimentos em pesquisa, inovação e aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e extração. O resultado também reforça a qualidade dos azeites produzidos na Serra da Mantiqueira, região que reúne condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das oliveiras.

O produtor Alisson Moreira comemorou o prêmio e destacou que a participação no concurso internacional ocorreu pela primeira vez. Segundo ele, desde o início da produção, o objetivo sempre foi priorizar a qualidade do azeite. O reconhecimento internacional, afirma, demonstra que o trabalho desenvolvido na propriedade segue o caminho da excelência.

A história da produção começou em 2016, quando Alisson buscou informações técnicas na Epamig após conhecer o potencial da cultura da oliveira no Sul de Minas. No fim de 2017, iniciou o plantio em um sítio localizado em Cristina, município vizinho a Maria da Fé. Atualmente, a propriedade familiar possui área de 1,5 hectare, situada a cerca de 1,5 mil metros de altitude, onde são cultivadas 340 oliveiras.

A primeira colheita ocorreu em 2022 e resultou na produção de aproximadamente 12 litros de azeite. Dois anos depois foi criada a marca Alto da Serra, responsável pela comercialização do produto diretamente na propriedade, em empórios parceiros e também por meio das redes sociais. Na safra de 2026, a produção alcançou 304 litros de azeite, refletindo a evolução gradual do cultivo.

Segundo Alisson Moreira, especialistas da olivicultura já destacavam a elevada qualidade do azeite produzido na propriedade antes mesmo da inscrição no concurso italiano. O produtor afirma que o reconhecimento técnico despertou o interesse em apresentar o produto em competições internacionais e ampliar o conhecimento sobre análise sensorial, incluindo a intenção de realizar um curso de sommelier de azeites.

Para o pesquisador da Epamig Luiz Fernando de Oliveira, a conquista confirma a evolução da olivicultura nacional e evidencia o elevado padrão alcançado pelos produtores brasileiros. De acordo com ele, apesar de ainda ser uma atividade relativamente recente no país, a produção vem apresentando características valorizadas internacionalmente, como equilíbrio, frutado, amargor e picância.

Além do reconhecimento obtido na Itália, os azeites mineiros também tiveram destaque no Prêmio CNA Brasil Artesanal 2026 – Azeite de Oliva. Cinco produtos produzidos em Minas Gerais foram classificados entre os dez finalistas da competição promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. A avaliação técnica foi realizada em Brasília por especialistas de instituições como Epamig, Embrapa e Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

O concurso nacional também inclui julgamento por júri popular e análise da história de produção de cada azeite, valorizando o terroir, a identidade regional e o trabalho desenvolvido pelos produtores. Entre os finalistas estavam os azeites Mantikir Summit Premium, L’Az, Mantikir Grappolo, Alto das Oliveiras e Aiu, consolidando Minas Gerais como uma das principais referências brasileiras na produção de azeites extravirgens de alta qualidade.

Foto: Azeite Alto da Serra / Divulgação


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