Como ex-presidente da Frente Mineira de Prefeitos, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, que concorre ao governo do Estado pelo PSD, conhece bem a realidade dos 853 municípios. E sabe que nos últimos três anos e nove meses, nenhum investimento foi feito pelo governo estadual para o crescimento dessas cidades. Pelo contrário. “Dos 18 bilhões de reais, relativos à saúde, que o Estado deve aos municípios, 4 bilhões são de dívida do Zema”, destacou Kalil em entrevista à Rede Mais/Record de Varginha, no Sul de Minas, nesta quarta-feira, 21 de setembro.
O candidato do PSD acompanha de perto a situação dos municípios mineiros. E, no comando da capital, também foi vítima da omissão do governo Zema (Novo). “Eu fui prefeito de uma grande cidade. Eu não conheço a assinatura do governador. Ele nunca fez um convênio com Belo Horizonte. Quando a cidade foi destruída pela chuva, e nós investimos 200 milhões (de reais) e refizemos a cidade em três meses, o governador não visitou os locais das tragédias. Minas Gerais até hoje tem estradas interditadas pelas últimas chuvas (no início de 2022)”, destacou Kalil.
Além da dívida com os municípios, Zema fez crescer a dívida do Estado com a União (de R$ 100 bilhões para R$ 150 bilhões) e a dívida corrente (do custeio de luz, água, remédio etc), de R$ 28 bilhões para R$ 58 bilhões, além de prever um déficit de R$ 11 bilhões no orçamento deste ano e do ano que vem.
“Não houve investimento nenhum em Minas Gerais. Nenhum. O que houve foi o dinheiro da indenização da Vale, que matou 260 pessoas em Brumadinho, e que rendeu ao governo 32 bilhões (de reais). O que houve é que esse governo não pagou um tostão da dívida. É o único governo da história de Minas que nunca pagou um tostão da dívida. Não tem estado nenhum nos trilhos. Isso não é verdade”, afirmou Alexandre Kalil.
O ex-prefeito de BH, que deixou a presidência da Frente Mineira de Prefeitos após o convite do ex-presidente Lula (PT) para ser candidato a governador, orienta os eleitores a questionarem os prefeitos qual foi o investimento do governo Zema nas suas cidades.
“O vice do Zema (Mateus Simões, candidato a vice do Novo) anunciou que está com 600 prefeitos. Cabe ao morador de cada cidade, pequena, média, grande, de Belo Horizonte, de todas as cidades, perguntar ao prefeito porque ele está apoiando o Zema. Pede a ele para mostrar um quebra-mola que o Zema fez na cidade, uma estrada que ele recuperou, que liga uma cidade a outra. O voto é muito sério. Foi prometido muita coisa para o prefeito. Tem que atender os prefeitos, mas não houve nada, não tem explicação porque um prefeito hoje apoia o atual governo”.
Porto Seco
Kalil visitou o Porto Seco Sul de Minas, em Varginha, e ficou impressionado com a estrutura da primeira estação aduaneira do interior do Estado, que funciona há 30 anos como Centro Logístico e Industrial Aduaneiro, na armazenagem e movimentação de cargas. Para Kalil, Minas precisa contar com estrutura semelhante em outras regiões, para movimentar a economia e gerar emprego e renda. Para isso, é preciso vontade política do governo estadual.
“Estive hoje no porto seco de Varginha, um espetáculo, um negócio bacana. Quando eu saí, disse lá que é só o governo não atrapalhar, que ele voa. Metade da arrecadação de Varginha, essa cidade espetacular, desenvolvida, vem de lá. Por que não tem isso no Jequitinhonha e no Norte de Minas? Porque não pensam com o coração. Está na hora de governar com o coração, de distribuir essa renda”.
Kalil destaca que, com o apoio de Lula, Minas terá investimentos na infraestrutura rodoviária que viabilizem a criação de novos portos secos. “Nós queremos fazer esse porto lá no Norte, na Zona da Mata, no Jequitinhonha, no Mucuri, porque é espetacular. Mas aqui nós temos a Fernão Dias, que é a aorta desse progresso no Sul de Minas. Nós precisamos fazer uma grande aorta em Minas Gerais, e o presidente Lula vai fazer, para gente andar nossa vida”.

